Isso é Copa: O dia em que a Romênia descoloriu seus cabelos

Quatro anos haviam se passado desde que a Romênia quase chocou o mundo ao ir longe na Copa de 1994. O encanto cigano já não era o mesmo, a geração envelheceu, mas o espírito irreverente permaneceu no torneio da França, em 1998. Durante a primeira fase, os romenos ousaram e entraram em campo todos de cabelos tingidos de loiro. A razão? Nunca ficou clara…

Tudo bem que a equipe liderou a chave G com sete pontos, um a mais do que a Inglaterra, que ficou com o segundo posto. No seu jogo inaugural, a Romênia pegou a Colômbia e fez 1 a 0, mais uma vez derrubando os cafeteros, assim como em 90 e 94 (isso que é gostar de se esbarrar pelos campeonatos).

Depois do jogo contra os sul-americanos, veio o grande desafio da fase, diante dos ingleses. Nova vitória romena, desta vez por 2 a 1. Antes de encerrar sua participação e encarar as oitavas de final, a seleção liderada por Gheorghe Hagi resolveu aprontar uma boa para o jogo contra a Tunísia, que serviria apenas para cumprir tabela: descolorir o cabelo de todos os jogadores. A feiúra era tanta, contrastando com o uniforme gritantemente vermelho, que os rapazes pareciam uma caravana de albinos perdida em solo francês.

Se já era feia a imagem da Romênia com aquele contraste em campo, ficou ainda pior nas oitavas, contra a Croácia. Nesta partida, a equipe de Hagi voltou a usar uniformes tradicionalmente amarelos, e debaixo de um sol escaldante em Bordeaux, no Parc Lescure, desfilaram como 10 sóis para tentar novamente beliscar uma vaguinha nas quartas, assim como em 1994. Infelizmente não deu, prevalecendo os axadrezados em uma grande atuação de Davor Suker, que marcou antes do intervalo, por meio de um pênalti. O placar terminou em 1 a 0 para os croatas.

Foi um fim melancólico na vida romena em Copas do Mundo. Desde então, não retornaram à fase final do torneio, passando perto em algumas ocasiões como em 2013, perdendo na repescagem europeia para a Grécia. Isso diz muito sobre o caráter desinibido da Romênia, que quando não desfilou um futebol encantador, chamou a atenção na cabeça de seus heróis, descoloridos para homenagear sabe-se lá o quê. Até que algum deles venha a público explicar aquela manifestação, ficaremos com a dúvida.

Vasculhei por toda a internet, em sites brasileiros, estrangeiros, mas não obtive uma resposta que pudesse sanar essa curiosidade. Quem sabe um dia consigo falar com algum dos caras que estiveram em campo naquela Copa e assim resolvo o mistério que ninguém ousou solucionar. Até porque, imagino que todos tinham algo melhor pra fazer.

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