[Especial 3 anos TF] Isso é Copa: Recortes e memórias frenéticas de uma vida

Por Arthur Chrispin

Todo mundo tem um momento especial em Copas. O maior. O melhor. Parece até clichê. E é. Eu nunca tive de escolher um momento de Copas do Mundo. Tudo sempre me pareceu familiar. E não se trata de ser fanático por futebol ou mestre dos labirintos alternativos. É apenas amor e diversão. Minha memória é uma colagem de retratos de grandes momentos remetendo a isso.

Me recordo de ser suspenso numa quinta-feira de 1990, para acompanhar o frangaço de Pumpido e o gol de Oman-Biyik na abertura da Copa da Itália. Lembro da Hungria tomando um chocolate de URSS em 1986, dos garotos marotos e travessos de Senegal dançando em volta da camisa contra a França em 2002 e de Yekini namorando a rede com a Nigéria em 1994.

Lembro de Zubizarreta sentado, sozinho, no gramado, mastigando a derrota, em 1998. Gamarra com altivez e sem um braço, comandando a defesa até serem finalmente bombardeados pela França, no mesmo Mundial. Marcelo Balboa perdendo um golaço de bicicleta e Franco Baresi, gigante, voltando depois de uma artroscopia durante a Copa pra ser o melhor em campo durante 120 minutos de uma final e perder um pênalti. Pênalti, esse senhor das injustiças.

Memórias de Klose trucidando a Arábia Saudita, Salenko moendo Camarões e Skuhravy atropelando a Costa Rica. Escobar olhando pro nada após um gol contra que posteriormente lhe custaria a vida. Josimar fazendo não só um, mas dois gols espíritas, os quais um sábio narrador diria que “a física não permite”.

Maradona driblando toda a guarda do Palácio de Buckingham, Zico de puxeta, Owairan mostrando ao mundo quem era. O surgimento do menino Owen, a catimba de Simeone em Beckham, a cruel vingança quatro anos depois. Bebeto declarando amor, o sofrimento de Zidane contra a Dinamarca, pra ressurgir das cinzas no próximo ciclo e Stoichkov dançando tango com toda a defesa argentina. Segura que eu quero ver.

O nascimento, crescimento e morte de Ronaldo. O desabrochar de outro Ronaldo, o Cristiano. As pancadas épicas de Portugal e Holanda. Messi, aquele que ainda vai brilhar – mais. O valente Uruguai quebrando pau com a Argentina no México. O valente Uruguai quebrando prognósticos na África do Sul.

As narrações antológicas de Lucianos, Galvões, Silvios, Jotas, Osmares. as narrações minhas, suas. Os gols que replicamos nas ruas. Os choros que choramos sozinhos. Vai começar tudo de novo. Como é de 4 em 4 anos. Inesquecível pra toda criança, inclusive as que viram adultas. A Copa é frenética. Como esse texto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *