[Especial 3 anos TF] Isso é Copa: Um replay que passava ao vivo

Eu nasci no ano futebolístico mais bizarro que houve. O ano do único campeão brasileiro com saldo negativo (não por acaso, time que me veste desde então). 85 também teve Argentinos Juniors campeão da Libertadores, enquanto preparava Steaua Bucareste para copar a Liga dos Campeões em 86. Sorte que não teve Copa (mas calma, que esse ano vai ter sim), porque perigava a Suíça sair campeã.

Teve Copa em 86, mas ah, eu tinha um ano. Em 90, eu já era menino de cidade grande (vamos lá, Curitiba comparada com Pato Branco é quase Nova York). Talvez devesse ter mais lembranças de Lazaroni, mas não tenho, nem ler direito eu sabia. E não acho ruim: se eu lembrasse de 90, a minha primeira memória não seria a Copa de 94, a Copa do Tetra, a Copa Mística, a Copa de Romênia, Bulgária, Roger Milla e Lalas. A maior Copa.

Eu tinha 9 anos, 7 deles já na companhia de um irmão. E fomos cercados pelo FEITIÇO da Copa. Tudo era Copa. Desde 93, quando fomos apresentados a um atacante baixinho que já era meio famoso, mas vinha afastado da Seleção e voltava pra tentar salvar a lavoura. O tal do Romário era a esperança de muita gente, enquanto pra mim, era um super herói que voltaria pra resolver tudo, igual o Seiya de Pegasus. Romário era tão bom, mas tão bom, que eu nunca tinha visto um Globo Reporter sobre futebol, mas nem Sérgio Chapelin resistiu a tentação de explicar com números o quão rápido, habilidoso e preciso Romário era.

É aí que entra 94 na história. Por causa do Romário, e de todo o otimismo que eu ouvia em relação ao Brasil (ô seus baby boomers, vocês são malucos, era time do Parreira!), a Copa de 94 era um torneio criado para o Brasil ganhar. Igual a Batalha das 12 casas. Igual o Freeza. Igual o Lord Zedd. Seria difícil, lá no meio parecia que não ia dar, mas óbvio que o Brasil ia ganhar no fim.

Já deu de contextualizar. Até porque, nesse momento da história, a Copa nem começou ainda. Até aqui, é como se eu estivesse contando a história dos cavaleiros de bronze, mas o texto deveria ser sobre a flechada na Saori, quer dizer, sobre o primeiro fato que lembro na história da Copa com detalhes. E é a Diana Ross perdendo penalti na cerimônia de abertura – “Tá certo isso?”. A festa precedeu Alemanha x Bolívia, jogo inaugural. Eu e meu irmão sentamos na frente da TV Telefunken pra que Galvão Bueno contasse uma das milhares de histórias que contou. Na voz dele e nas imagens do Soldier Field, a Copa passava do abstrato para o concreto.

“Será que tá passando na Band também?” “Sei lá, coloca lá pra ver”. Estava sim, o mesmo jogo, que legal, “ei, peraí, volta na Globo.” “Por quê?” “Volta. Beleza, põe na Band de novo”. Caramba, tava atrasado o sinal. Que massa, a gente assiste o jogo na Globo, coloca na Band e vê o “replay ao vivo”. Em cada ataque da Alemanha na Globo (era uma retranca boliviana), a gente apertava rapidinho o botão da Band pra ver o lance de novo.

Até que uma bola voa na área, Klinsmann voa até ela e ela voa até rede. “Gol!” “Troca!” “Gol de novo! Hahaha! Dois a zero!”. Nem preciso dizer que tenho muitas outras lembranças entre esse dia e a festa de umas 30 pessoas no quintal da minha casa, no 17 de julho. Mas não convém lembrar as outras aqui. Muito menos agora, enquanto um guri de 9 anos – minha idade na época – troca figurinhas da Copa com um colega aqui na mesa ao meu lado.

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