Lampard vai deixar o Chelsea, mas com status de lenda

Não é difícil mensurar o tamanho que Frank Lampard tem dentro do Chelsea como jogador e ícone. Ídolo de todo e qualquer torcedor dos Blues, o meia deve mesmo deixar o clube depois da Copa do Mundo, e mesmo que não o faça, já terá se tornado no maior a ter vestido a camisa dos londrinos.

Aos 35 anos, completando 36 durante o Mundial, Lampard já tem 13 de Stamford Bridge. Desde 2001, foram 594 partidas e 211 gols pelos Blues, uma marca difícil de ser superada, sobretudo quando falamos de um atleta que joga no meio-campo, um setor sensível e que exige um bom preparo físico.

A marca de Lampard na carreira, no entanto, não se resume apenas a ser um talento dos maiores da sua geração na Inglaterra. Ao lado de Gerrard, divide o peso de uma trajetória gloriosa pelo clube com uma década sem brilhos pela seleção. Os dois ocupam papeis de suma importância por Chelsea e Liverpool, e apesar da competência mostrada em diversos momentos, não conseguiram conduzir o país a qualquer título ou disputa expressiva.

Com essa camisa azul que se acostumou a vestir, Frank viveu os dias de vacas magras e da ostentação financeira, de craques, de arrogância, por estar num clube que se consolidou como força nacional em curto espaço de tempo. Antes de Roman Abramovich, não havia muito o que contar sobre os Blues, exceto que foram concorrentes em poucas oportunidades. Na virada dos anos 90 para os anos 2000, a equipe viu a transição de Ken Bates para Abramovich, um russo pra lá de ambicioso e com tubos de dinheiro a investir.

Contratado na fase em que o dinheiro ainda era algo que o Chelsea não estava disposto a esbanjar, Lampard foi peça vital na transformação do competitivo e sério plantel que começou a ter seu reinado sob o comando de José Mourinho. Não à toa, o camisa 8 é um dos favoritos de Mou, e a recíproca é totalmente verdadeira. Vindo do West Ham, o filho de Frank Lampard Sr; outro ex-jogador dos Hammers, poderia ser apenas uma promessa que não vingou, mas a verdade é que o destino lhe foi muito generoso de 2001 em diante.

Foto: Metro.co.uk
Foto: Metro.co.uk

Foram três títulos da Premier League, quatro da FA Cup, dois da Copa da Liga, um da Liga dos Campeões e outro da Liga Europa, esses em anos seguintes. Lampard foi muitas vezes capitão do Chelsea, alternando o posto com seu colega de longa data, John Terry, ainda que o zagueiro não tenha lá um histórico bom o bastante para sequer ser chamado de colega. Independente de quem estivesse ao seu lado, era imprescindível a escalação do meia, um mestre em passes decisivos, chutes de longa distância e claro, um líder nato.

Ao final de seu contrato com o clube, depois de 14 anos, ficará uma lacuna no time após a sua possível saída. Muito se fala na imprensa inglesa de que o Chelsea é que não pretende renovar o vínculo com o atleta. Talvez seja a hora dele encarar o fim da linha, o capítulo derradeiro de uma união em que ele muitas vezes foi protagonista.

Para o time, a sua ausência como operário pode até ser reposta, mas os Blues entendem perfeitamente que heróis não são substituídos, e sim homenageados o bastante para que seus feitos estejam nos livros e no olhar apaixonado de quem embalou ao som de uma versão de “La Bamba” o seu inesquecível gol número 200… contra o West Ham. É fácil ser lembrado como parte de um grande time. Difícil é ser Lampard num Chelsea tão forte quanto o que ele era o cérebro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *