Textos que não publicamos: Benfica supera maldição e conquista a Liga Europa

A nova editoria da Total Football faz o que nenhum veículo ousou (ou achou sensato) fazer na história do jornalismo: publicamos aquele texto que estava pronto antes do apito final e que deveria ter ido para o lixo quando houve uma reviravolta na trama. No “Textos que não publicamos”, o primeiro post é sobre o título europeu do Benfica que não veio diante do Sevilla na Liga Europa, quebrando a maldição de Béla Guttmann. Mostramos como seria o relato do momento histórico dos Encarnados aqui no blog.

É incontestável o efeito que uma maldição pode causar num time que sempre se diz místico. Bem, pois em terra de benfiquistas, qualquer mau agouro é questão de vida ou morte, sobretudo em decisões europeias. Multicampeão português, o Benfica superou o seu maior fantasma ao vencer o Sevilla na final da Liga Europa.

Os mais supersticiosos dirão que sim, a maldição de Béla Guttmann em 1962 fez diferença na forma como o clube lusitano entrou em campo para decidir um troféu europeu. Foram precisas oito finais desde 63 para que as duras palavras do húngaro fossem desfeitas, como num trato com o diabo.

Quando Béla teve um aumento de salário recusado pelo presidente benfiquista após o título da Copa dos Campeões daquele longínquo 62, a resposta ao dirigente veio em forma de praga, que assombrou o Estádio da Luz até esta fantástica noite em Turim, no Juventus Stadium. Sim, o Benfica venceu uma taça europeia antes dos 100 anos previstos pelo técnico, graças a um monumento em homenagem ao mesmo que lhe causou tanta dor, mesmo sem mover um dedo de dentro da cova, seu lar desde 1981.

Até o último pênalti convertido, os Encarnados já tinham sido derrotados em oito ocasiões: na Copa dos Campeões para o Milan em 1963, Internazionale em 1965, Manchester United em 1968, PSV em 1988, Milan em 1990, sem falar na Copa UEFA, na qual foram derrotados em 1983 para o Anderlecht e em 2013, no formato de Liga Europa, para o Chelsea.

Com a bola rolando em 2014, não foi fácil superar o Sevilla e muito menos uma escrita que teimava em se repetir. O tempo normal viu um empate sem gols e com muito nervosismo por parte dos dois times. Carlos Bacca e Lima tiveram destaque no ataque, cada um do seu lado, e claro, com suas falhas de finalização. Foi o atacante rojiblanco que teve a melhor chance de abrir o placar, no fim do segundo tempo, mandando a bola perto da forquilha do goleiro Jan Oblak.

Os 30 minutos mais longos da vida benfiquista

Foto: UEFA
Foto: UEFA

A prorrogação foi uma verdadeira tortura emocional aos jogadores e torcedores dos envolvidos. Para quem viu de fora, era apenas um simples jogo entediante numa tarde de quarta-feira. A história da final não foi bordada com belos lances e muito menos um gol magnífico para lavar a alma dos vencedores. Muito pelo contrário. Foi preciso uma disputa de pênaltis para decretar que o Benfica parou de temer a sombra do fracasso e o peso da maldição de Guttmann, ainda que Garay tivesse tentado duas vezes se consagrar em bolas aéreas.

Com a ajuda de Lima, Rodrigo e Luisão, o time português fez as pazes com o espírito do treinador húngaro e levantou a tão cobiçada taça europeia, que deveria vir só depois de 2062. A estátua de Guttmann na frente do Estádio da Luz, posando com duas taças da Copa dos Campeões foi a última súplica de um clube refém de sua própria mística, castigado pelas derrotas inacreditáveis e vítima do próprio sucesso.

Hoje o Benfica chora com a alegria de quem conseguiu reverter uma maldição, estampando o sorriso de quem não vai precisar esperar mais meio século para comemorar uma glória internacional. Pena que Eusébio não viveu para ver este momento, mas em cada atleta encarnado, havia um pedaço do Pantera Negra, que emprestou a sua lenda para que este triunfo pudesse ser possível. As faixas pretas no braço esquerdo dos jogadores simbolizam o luto pela perda do maior ídolo da agremiação, morto em janeiro.

Até que seu falecimento complete um ano, as braçadeiras em respeito a Eusébio estarão lá em cada camisa. Mesmo porque, só quem respeita a própria história é que pode construir um bom futuro.

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