Bola de Ouro do cinema ou o Oscar do Esporte? Esse filme merece ambos

Ver o seu esporte preferido ser bem tratado no cinema é um sentimento raro para os amantes do futebol. As produções hollywoodianas sobre o tema não são lá muito frequentes, e geralmente quando aparecem são filmes sobre garotinhas de 8 anos e seus times treinados pelas já famosas “soccer moms”. Fazer o quê, se o maior mercado cinematográfico do mundo também é famoso por cagar e andar pro futebol?

Eu digo o que fazer: Cruze o oceano!

Se a América não dá a atenção que o futebol merece, na Inglaterra temos alguns bons exemplos de filmes que respeitam a posição que o futebol ocupa no nosso imaginário. E um desses exemplos atende pelo nome de Maldito Futebol Clube. O filme conta a história da meteórica passagem de Brian Clough pelo Leeds United nos anos 70.

Pensando nos leitores que chegam aqui através de buscas desastradas no google eu vou fazer uma breve explicação sobre Brian Clough (se você é leitor assiduo com certeza conhece o sujeito e pode até pular esse parágrafo). Manja quando você entra no Football Manager e resolve jogar com um time pequeno pra fazer ele crescer e ganhar tudo? Então, ele fez isso na vida real. DUAS VEZES. Venceu POUCO na vida o sujeito, né?

No fim dos anos 60 ele pegou o modesto Derby County na rabeta da tabela da segundona inglesa e conseguiu levar o time ao título inglês em 5 anos. Quando todos imaginavam que ele e o Derby County iam conquistar o mundo, seu ego (que só não era maior que sua habilidade de extrair o melhor de jogadores considerados medianos), fez com que a parceria com o Derby chegasse ao fim.

E o filme conta exatamente essa parte da vida de Brian Clough e seu eterno parceiro Peter Taylor. Através de idas e vindas nós acompanhamos a sua ascenção no Derby e também os seus novos desafios no Leeds United, o grande time inglês da época. Por se tratar de uma história real, não é preciso ser nenhum gênio pra saber como essa história termina, mas como eu sei que spoilers são um tema muito delicado na internet, vou deixar que vocês descubram mais sobre a história por sua conta e risco no Google ou vendo o filme, que é a opção das pessoas sensatas e inteligentes.

Independente de conhecer ou não o fim da história, o filme é um deleite para os amantes do futebol. A reconstituição histórica dos anos 70 está perfeita, dentro e fora de campo. Ex-fumantes como eu vão ter sérias recaídas ao ver a era de ouro do cigarro abordada de forma tão fiel. O futebol em si é mostrado em doses homeopáticas e muitas vezes é substituido por imagens reais dos jogos em questão.

Eu particularmente achei a escolha bastante acertada, afinal de contas o grande problema dos filmes sobre futebol é fazer as imagens dos jogos parecerem reais e não encenações feitas pela turma do Chaves. Se os gols e lances violentos (estamos falando de futebol inglês da década de 70) são representados pelas imagens reais, a atmosfera do banco e também das arquibancadas são relatadas de forma bem fiel e divertida.

Um outro ponto muito bem retratado no filme é a atmosfera dos vestiários. O filme mostra Brian Clough experimentando um grande sucesso e também um raro fracasso de sua carreira, e é interessante ver como sua relação com os jogadores dentro do vestiário influencia ambos os momentos. Impossível ver o filme não relacionar os momentos vividos por Brian Clough por momentos vividos pelo seu time do coração.

Todo time tem uma história de jogadores limitados que conseguem feitos inacreditáveis como também tem esquadrões e times dos sonhos que acabam em grandes fiascos, e através da história de Brian Clough é possível especular um pouco sobre essas histórias.

Além de todos esses serviços prestados ao esporte, o que fez o filme realmente saltar aos meus olhos foi o fato de que não se trata apenas de um filme fraco que se apoia numa boa história. A direção, o roteiro, a fotografia e os atores matam a pau. A forma de se contar a história com flashbacks não foi utilizada apenas por estar na moda, ela realmente faz com que o entendimento do filme seja ainda melhor, pois é possível entender as motivações dos personagens no momento atual graças as histórias anteriores.

A direção ficou a cargo de Tom Hooper, que ganhou a bola de our… quer dizer, o Oscar de 2012 pelo filme O Discurso do Rei. Se tudo isso não é o bastante pra te convencer a assistir ao filme, tenho apenas mais duas palavras que podem ajudar: HUMOR INGLÊS. Com todas essas armas, convencer as namoradas e esposas a verem Maldito Futebol Clube naquela sessãozinha de cinema no sofá do fim de semana é tão simples como tirar doce de criança. Você vai conseguir convencer a patroa a ver um filme de futebol e ela ainda vai te agradecer. E se isso não acontecer, nós devolvemos o valor da sua mensalidade na TF Corp. COMPROMISSO!

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