Afundem o navio pirata!

Por Daniel Tomiate

Tudo começou quando nos arrancaram o direito de jogar com as nossas cores. Continuou com a nossa cotação para lanterna do campeonato no Bolão do El. A cereja do bolo foram as apostas gravadas em vídeo que envolviam (semi)nudez em aeroportos, caminhadas de 400 quilômetros e a presença de um dos craques em campo numa improvável final.

O alimento do rubronegro da Nazaré foi a desconfiança dos adversários, que na ânsia de fazer troça com a falta de talento deste que vos escreve e do único Bonilha, esqueceram completamente da ESPESSURA DA CASCA do CPTM Moscou na primeira edição e do quanto isso acontecia por causa da nossa dedicação. Fomos reforçados no Ipirankt Pauli por mais dois caras que têm pleno conhecimento dos limites de sua técnica e por isso jogam sempre no limite: JC Batera e Mario Sérgio, fundamentais na retranca que fez o esfíncter do capitão jaçanense estalar com o cagaço das dez maratonas emendadas até Copacabana.

As trocas de e-mail antes da Copa e as conversas com os outros capitães me deram a certeza que os outros quatro elementos não seriam só raça: jogador do futsal masculino da UEL (e treinador do feminino), melhor goleiro do torneio sub-28 sabe deus de onde, centroavante com uma confiança absurda e o único jogador bom da família do artilheiro da última copa. Ienco, Jair, Breno e Felipe não poderiam sair nunca e compensariam o que faltasse em talento nos outros quatro. De todos o que podem, a todos o que precisam, como no esquerdista St. Pauli, um time operário como os sobradinhos em volta dos galpões do bairro do grito.

Nosso grupo seria foda e isso era evidente. Eu imaginava o Deportes muito parecido conosco e via Raja e Penharol um pouco acima: nossa meta seria vencer nosso rival direto e roubar pontos de um dos outros dois. Sem o zagueirão Iamin do outro lado, o time do capitão Lobo permitiu que avançássemos um pouco e nossa partida contra os carboneros ficou um pouco mais leve – poderíamos ter estreado com vitória, não fosse a demora pra achar nossa maneira de jogar e o azar no pênalti que foi pra fora. O um a um, no entanto, estava nos planos.

Com Breno muy golpeado por uma torção no joelho no primeiro jogo, perdemos a referência na frente e assustamos pouco o pesadelo atleticano liderado pelo Bonsa e nem a tentativa de catimbar e de pilhar o Lellis impediram o primeiro gol do Raja. Na busca do empate, falhamos em bater o Craque Umbro™ Flávio Bandeira, cedemos espaço e sofremos no contra-ataque o segundo tento da equipe que sairia da Arena Ivanov no fim da tarde com uma estrela no peito.

Faltava “só” a vitória contra o Deportes, o clássico da Ricardo Jafet, o derby do My Flowers. O Bonde do Chinelão havia arrancado dois empates no grupo e ganhou confiança – a ponto de chegar aos nossos ouvidos a promessa de que fariam três na gente. Foi a última vez que alguém desacreditou: Coutinho, Spiacci, Vanzo, Gui Lopes e Boituva cercaram nossa área mas tiveram poucas chances de finalizar antes que um pé pirata rasgasse pra lateral. Numa confusão na área do melhor goleiro de sunga do certame, Ienco empurrou, desequlibrado, uma bola torta e vacilante, como um Basílio de 1977 (porém com relevância), pra carimbar o nosso passaporte rumo à série A de uma forma épica o suficiente para merecer mais um quadro de Pedro Américo.

As quartas-de-final seriam a reedição de um confronto que terminou empatado depois de meses de provocação na primeira Copa: meu time contra o do Borgo. Com a masculinidade afetada pelo calor, o Portes macho de Pedreira havia sucumbido ao uso de chuteiras. Mais um empate em tempo normal, mais uma atuação de gala da dupla Felipe e Jair com Bonilha e Mário Sérgio completando o ÔNIBUS estacionado na frente da nossa meta e JC e Ienco segurando a bola no ataque nas ligações diretas. Ninguém poderia bater nosso pênalti, exceto o Oliveira canhoto que havia desperdiçado contra o Penharol – provou que era só azar na estreia e converteu. Jair, o Rodrigo Hilbert hetero, agarrou a cobrança sacolera e nos levou às semis.

Cobrelapa. O bicho papão, o pica grossa, o Barcelona com oito Messis, o Parmera de Kleina que estava jogando o fino da bola até então, mas cujos gols foram todos cagados. Por oito minutos e meio, foram vítimas do nosso ferrolho, com Gui Rocha e Amarelo TRANSTORNADOS pela impossibilidade da finalização e pelo quanto os poucos chutes eram inúteis contra a muralha de Guará no nosso gol. Nossa zaga mordia e não soltava como se fôssemos TEXUGOS. No fim, a bola ficou com Filócomo, que, sem ter o que fazer, arriscou de longe e venceu um Jair encoberto por TODOS OS JOGADORES DOS DOIS TIMES dentro da nossa área. Não tivemos forças pra reagir e nos despedimos ali com a certeza de termos perdido somente para o campeão, quem quer que fosse o vitorioso entre Raja e Cobrelapa.

Mais uma vez, grande parte do dia foi dedicada à corneta, a conhecer pessoas que TE CERCAM POR TODOS OS LADOS ALÔ BEATRIZ ACÁCIA, a rever companheiros de time e adversários passados, a pedir desculpas pelo estilo Obdúlio Varela de vestir a faixa e Scolari de motivar, a encher a cara e comer churrasco. Isso não tem matéria do Tiago Leifert como bandeirinha que mostre.

PS: ROBERTO MARINHO TRAFICANTE

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