Um dia de festa cheio de pessoas legais

Por Leonardo Rossatto

Falar da Copa Trifon Ivanov é chato. É ruim. Porque nenhum discurso e bonito vai expressar completamente a catarse coletiva que ocorreu no sábado lá no Playball Pompéia. Foi algo único, inexplicável e que está marcado pra sempre nos corações e mentes de quem esteve lá e vivenciou tudo.

O que mais me comoveu foi o clima geral de camaradagem. A impressão é a de que todos sabiam que estavam no meio de um momento único, especial, e queriam aproveitar ao máximo. E esse clima de camaradagem foi o que definiu o Trianon Ivanov, dentro e fora de campo. Porque não bastava homenagear o Ivanov com o nome do torneio, precisávamos fazer isso com um time também.

Não tenho palavras aqui pra descrever como todos os caras do time foram fantásticos. No primeiro jogo perdemos pro time do Borgo, que apesar de ter carisma vai se firmando edição após edição como cavalo paraguaio da Copa Trifon Ivanov. Beleza. Bola pra frente. Bora organizar o time pros dois jogos seguintes. Afinal, o sonho de todo jogador da Trifon Ivanov não é ganhar, mas eliminar o Thomas e o Portes.

Contra o Bixiga, do Thomas e do Gaia, uma vitória sofrida, no sufoco, fez o time continuar na briga. Contra o time do Portes, precisávamos ganhar pra eliminar o Portes e o Thomas. Marcamos primeiro. O time cansou, com o calor senegalês que fazia no Playball. Os caras acharam um gol. Estávamos caindo. Daí, na saída de bola, o Bruno, melhor reserva (mas titular nos nossos corações), decidiu a parada. Joga muito, aff.

Vitória. Comemoração. Passamos pras quartas! Eliminamos o Portes! Eliminamos o Thomas! Time unido demais, guerreiro, copeiro. Vamos pegar quem? “Ah, o Raja, do Bonsa. O time dos caras é bom, favoritaço junto com o Cobrelapa”. “Ah, vamos pra cima”.

No jogo contra o Raja, saímos atrás. O time dos caras era bom mesmo. O Flávio jogou demais, o Bonsa e o Samuel também. Mas nosso time sempre foi guerreiro, e o Gersinho marcou um PUTA GOLAÇO que só não ganhou prêmio porque foi na quadra NEGLIGENCIADA pela torcida.

Criamos chances. Eles também. Eles fizeram mais um gol. Estávamos exaustos. Perdemos. Depois os caras foram campeões, com todo o merecimento. Timaço.

Mas sobre o Raja deixa o Bonsanti falar. Vou falar sobre os caras do meu time. Não tinha jogado com nenhum deles na outra Copa, mas a empatia foi instantânea. É inacreditável como você chega num sábado pra jogar bola com uns caras com quem você nunca trocou uns chutes na vida e sai de lá como se fosse amigo deles há uns dez anos. E isso indiferente de ganhar ou de perder. Só de estar ali é um baita privilégio.

O Clements pegou MUITO, catou umas bolas impossíveis e livrou muito minha cara quando eu falhava na zaga.(quase sempre, hahaha). O Diego era o motorzinho do time, carregava o piano, parecia que estava em todo lugar. O Gersinho joga demais, decide demais, é craque, corre, marca, arma, chuta, Felipão tá perdendo tempo em não convocar. Obede tem uma presença de área sensacional, baita raça, aquele cruzamento pro gol do Luccas contra o Bixiga foi uma coisa linda demais. O Luccas joga muito também. Ele vai falar que não jogou nada porque ele SE COBRA pra caramba, mas jogou sim. Ainda mais voltando de contusão e com marcação individual em todo jogo, depois de ter sido o melhor da primeira edição.

Os reservas são um capítulo à parte. Os dois só foram reservas porque estavam voltando de contusão. Criei uma admiração muito grande pelo Bruno. Não só porque ele decidiu contra Bixiga e Granja Eviana, mas porque ele estava feliz demais em estar ali. Dava pra ver em cada atitude do Bruno como ele estava curtindo o momento. Cara sensacional. O Charles, então, é uma figuraça. Fez as vezes de jogador/técnico do time, incentivava pra caramba, organizava DE VERDADE o time de fora do campo, e quando entrava ainda comia grama e mostrava uma raça absurda.

Eu tenho orgulho demais de ter tido o privilégio de jogar com esses caras.

Mais do que isso: eu tenho orgulho demais de ter participado de toda a festa que foi a Copa Trifon Ivanov. Queria agradecer aqui a cada organizador, a cada capitão, a cada jogador, a cada um que ajudou no churrasco, a cada um que ficou cornetando nas grades por esse dia mágico.

É simplista demais falar que a Copa Trifon Ivanov é só um campeonato de futebol. É infinitamente mais do que isso. É um enorme encontro de amigos, regado a futebol e a galhofa. No meio de tanta coisa bizarra acontecendo por aí, a Copa é uma espécie de oásis, é um evento onde você fica um dia inteiro se divertindo cercado de gente legal. E sai de lá entendendo algo tão óbvio que vivemos esquecendo: na vida, o que vale a pena são as amizades, o companheirismo, a diversão, esses momentos sensacionais em que, independente do vencedor no campo, todo mundo ganha. Isso é a Copa Trifon Ivanov.

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