O futebol também precisa dos caras ruins

Não deu pra disputar o título esse ano, não deu pra brigar por nada que não fosse a lanterna. Mas eu não ligo, meus colegas não ligam. Todos eles entraram pra fazer o que combinamos logo na primeira preleção: se divertir. E nesse ponto, certamente nenhum dos homens de rosa pode reclamar.

Eu mesmo achava que não conseguia não ser competitivo. Passei meses querendo superar a atuação vergonhosa na última Copa e realmente consegui, estive perto do que considero uma boa participação. Como raramente acontece tudo certo num dia, meu time acabou sendo o pior da competição. O incrível que a Copa Trifon Ivanov proporciona para quem entra com essa mentalidade, é o fato de a colocação pouco importar ao fim do dia.

Não esperava mesmo disputar o título e talvez isso tenha amortecido o fato de sairmos sem nenhuma vitória do campo. Mas o Granja Eviana tinha algo que poucos podiam ostentar: fomos unidos o tempo inteiro e fizemos o jogo mais justo. Tudo bem que o fair play não serve pra nada em termos de campeonato, mas os meninos fizeram em campo o que era possível, respeitaram os adversários e tenho certeza que não fez muita diferença perder. Fora da quadra o clima estava tão inesquecível que a gente deu de ombros e acompanhou os grandes amigos presentes.

Era raro ver algo que conflitava com a paz e a festa que tanto pedimos antes da Copa. Insistimos nesse ponto para que todos soubessem que acima de tudo é uma brincadeira, não uma disputa de vida ou morte. Alguns se excederam, algo que considero normal para o evento, mas não tivemos ocorrências graves, já que os envolvidos se retrataram logo em seguida. Fico feliz em saber, esse é o espírito, ninguém está lá pra amassar ninguém.

Voltando ao torneio, tínhamos um goleiro bem colocado como o Vinícius, o Márcio Araújo branco Domingos, o quarterback Marcello, o maratonista Edmílson (que treinou correndo de guepardos na África), o Willian Mendieta promessa do futebol trifoniano, Gabri jogando mais disperso que a ala das baianas, Noedyr Barcos artilheiro dibrador pirata de piscina (jogou demais) e eu, o zagueiro camisa 10 que cansou de ficar na defesa e depois ficou armando o jogo. Peço perdão ao Flavinho do Bixiga pela voadora numa dividida. Ainda bem que errei e ele não foi para o hospital.

Perdemos nos pênaltis para o Deportes, acertei o meu, mas fomos eliminados do torneio B depois que o Ed fez exatamente o que pedi a ele, exceto pelo fato de ter chutado pra fora. Não deu nem tempo para que ficássemos abatidos, saímos da quadra já rindo, bebendo e comemorando a lanterna. O resto do Granja Eviana estava na mesma sintonia: dane-se o resultado, o que vale é rir. Vinícius inclusive cornetou todos os jogos, está de parabéns pelo espírito zuão.

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Pode ser que a gente não se una depois da Copa como o grupo de amigos que levantou o título depois de um dia difícil, superando barreiras e limitações, na raça. Pode ser que não tenhamos mesmo o que comemorar dentro de campo. Levei rolinho do Spiacci, o Capitão Firmeza, catimbei o Vanzo, revi o Luccas como adversário (VOLTA, MANO, POR FAVOR). Os meninos também encontraram antigos rivais, sempre com lealdade. Não temos a reclamar de arbitragem e nem de violência, tudo transcorreu na paz que tanto pedimos.

Fomos Granja Eviana por um dia e foi incrível. Meus amigos, o resultado é de fato irrelevante se comparado ao sábado em que estivemos lá dividindo espaço na grade, dividindo a cerveja, gritando loucamente, vendo o dia passar em cada gota de suor derramada naquele sol do capeta. O que seria do futebol sem os caras ruins, não é mesmo? Tem isso, diria Lúcio de Castro.

Estivemos lá só pela diversão e agradecemos todos vocês que estiveram lá fazendo a Trifon ser essa maravilha. A cada edição vamos melhorar, e a cada dia de disputa será o melhor de nossas vidas. Se ganhei ou se perdi, o importante é que meus bróders eu vi.

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