Moocabi Haifa: a Revolução dos Cannolis

Por Fabio Chiorino

Um começo constrangedor. O Moocabi Haifa estreou na 2ª Copa Trifon Ivanov com uma derrota por 3 a 0 contra o fortíssimo Cobrelapa e, na sequência, um acachapante revés de 5 a 1 contra o Borussia Moemagladbach. Deixamos o gramado naquele sentimento confuso de vergonha e espanto. Foi aí que reunimos o time momentos antes da partida contra o Aston Villa Mariana e fizemos um pacto: já estamos eliminados, vamos tentar ao menos nos divertir.

E deu certo: jogamos melhor que o adversário e conseguimos o primeiro ponto no torneio, após um empate de 2 a 2. Não éramos os campeões morais, mas ao menos ganhávamos fôlego para a Série Fluminense, torneio paralelo que reunia os eliminados da primeira fase. E vieram as quartas-de-final e conseguimos o que parecia até então impossível: vencer.

Mas não foi tão simples assim. Estamos a relembrar do jogo mais nervoso de toda a Trifon. Uma partida que fez a Libertadores parecer um parque de diversões. A cada dividida, gritos contra o juiz. Cartões amarelos voando pelo gramado. Yuri, o nosso artilheiro, abusou da catimba. Julio Cesar e Eric Franco, ambos do Ajaxanã, pareciam possuídos, sendo que o primeiro arrancou a camisa, deixou o campo e voltou 20 segundos depois como se nada tivesse acontecido. Voltou e pediu para o juiz colocar o apito em um local impronunciável. Um momento mágico. Foi nesse momento que tentei acalmar o time e pedi para o Alex Rolim, que acabava de cometer uma falta com o jogo parado, ir para o banco. À la Paulo Henrique Ganso, El Xerife do Moocabi, me garantiu: “Eu fico. Nunca estive tão tranquilo”. Achei saudável e confiei. Vitória por 2 a 1 e classificação para a semifinal.

O Deportes Imigrantes era o inimigo. E criamos uma estratégia capaz de derrotar o chapéu panamá de Vanzo e a malemolência do goleiro Ciro. Uma enorme retranca, com apenas um jogador fixo na frente. Deu resultado: 1 a 0 com gosto de 1 a 0 e o passaporte para a final garantido.

Tentando juntar os pedaços antes da decisão, Silvio, que jogou praticamente em todas as posições, me puxou de lado e pediu: “Chiorino, ninguém imaginava que chegaríamos até aqui. Agora, você me prometa que seremos campeões”. Assenti com a cabeça e garanti: “Vamos nos divertir novamente”. Entramos em campo contra o Bixiga Saint Gennaro com uma confiança assustadora. A final, para sempre lembrada como “O Clássico da Tarantella”, foi árdua, repleta de faltas e muxoxos. E novamente vencemos, com um incontestável 5 a 2.

Um dos maiores méritos da Copa Trifon Ivanov é reunir perfis aleatórios do Twitter em um clima de pura cumplicidade. E todos os times participantes deixam o torneio convencidos de que o futebol e a corneta transformam arrobas em amigos. Nessa edição, enalteço o bravo Charles, o hábil Yuri, o polivalente Silvio, o incansável Dedé, o voluntarioso Caio, o estrategista Eder e o seguro Alex. E tive a honra de ser o capitão desse Moocabi Haifa, que merece uma passeata percorrendo os mais de 4 mil metros da Avenida Paes de Barros. Deixamos a grama sintética esfolados, exauridos e com aquele sorriso inconfundível de superação. A Revolução dos Cannolis estava completa.

Um pensamento em “Moocabi Haifa: a Revolução dos Cannolis”

  1. Só pra constar, o Polivalente aqui é q foi o artilheiro do time, com 4 gols, um a mais que o Yuri Fominha…hehehehe
    Boa Chiori!!! Foi um prazer enorme poder fazer parte dessa equipe vencedora, após tantas dificuldades… E as marcas ainda estão em mim: um tornozelo inchado, as duas solas dos pés em carne viva e uma bela marca de sol no rosto e no pescoço…e que q venha a próxima Copa!!!!

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