Klinsmann e a piada do mergulhador

Com fama de cai-cai, Klinsmann chegou ao Tottenham sob olhares de desconfiança da torcida inglesa. Não demorou para que ele virasse o jogo e conquistasse o respeito dos Spurs, após duas passagens em diferentes contextos.

Já consagrado no cenário internacional, campeão mundial com a Alemanha e com carreira respeitável após passagens por Stuttgart, Internazionale e Monaco, Jürgen Klinsmann desembarcou na Inglaterra para defender o Tottenham após a Copa de 1994. Autor de cinco gols alemães no Mundial dos Estados Unidos, o atacante precisou superar diversas acusações de que se jogava demais em campo.

Em agosto de 1994, o alemão chegou ao White Hart Lane com milhares de olhares tortos em sua direção. Motivos os ingleses tinham, afinal, o germânico participou da eliminação da Inglaterra na Copa de 1990, até agora o mais longe que chegaram depois do título de 66. Não bastasse o rancor pela derrota, a forma como Klinsmann se atirou no gramado para causar a expulsão de Monzón, na final contra a Argentina, deixou a imprensa e os torcedores do Tottenham com alguma pulga atrás da orelha. Estariam contratando um inimigo público?

Nenhum outro lugar no mundo abomina tanto os “mergulhadores” como a Inglaterra. A cultura de odiar a quem tenta ludibriar a arbitragem com movimentos circenses visando marcação de faltas é vista quase como um crime em solo britânico. Klinsmann sabia disso e não quis fugir da pauta quando teve seu primeiro contato com a mídia naquele mês de agosto. Com a maior cara de pau do mundo, o alemão perguntou na coletiva de imprensa se havia alguma escola de mergulho em Londres. Klinsmann >>> Qualquer repórter do CQC.

A ironia de Klinsi não parou por aí. Estreante contra o Sheffield Wednesday, participou diretamente da vitória dos Spurs por 4 a 3. Marcando um gol de cabeça, pensou numa comemoração, digamos assim, diferente: se jogar no chão como um mergulhador, desafiando todos os críticos. Com o tempo, o alemão tratou de virar ídolo da torcida, algo inimaginável no momento de sua contratação.

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Foto: Hotspur HQ

Foram duas passagens de Klinsmann pelo Tottenham, sendo a segunda delas em 1997-98, num momento em que o time quase foi rebaixado na Premier League. Nessas duas temporadas, marcou 30 gols em 59 partidas e hoje é uma das maiores lendas dos Spurs. Se aposentou com a camisa do clube, com a gratidão de ter salvo a equipe da degola. A Copa de 1998, na França, foi a última competição da carreira de Jürgen, aos 34 anos.

A parte engraçada dessa relação de amor e ódio foi retratada pelo jornal The Guardian. Um repórter fez dois artigos distintos para tratar de Jürgen: o primeiro deles era intitulado “Why i hate Jürgen Klinsmann” (Por que eu odeio Jürgen Klinsmann), onde o autor Andrew Anthony citou várias ocasiões em que o jogador foi imoral ou teve comportamento reprovável. Conforme os gols de Klinsi saíam, a sua reputação se transformava.

Seis semanas depois do primeiro texto, o mesmo Andrew se retratou e escreveu um artigo chamado “Why i love Jürgen Klinsmann”, desnecessária a tradução. A piada do mergulhador pegou mesmo em Londres, e nem mesmo algum dos integrantes do Monty Phyton poderia pensar numa resposta como aquela.

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