Um campeonato cheio de manias

Salvo Cruzeiro, Grêmio e Botafogo, todos os times no campeonato chegaram em algum momento a flertar com a zona do rebaixamento ou estar dentro dela. Essa foi a mania de um Brasileirão dengoso, bonito e vamos parando por aqui.

Com esse jeito instável, o Dilmão-13 fez o que quis de todo mundo. Nem mesmo os grandes craques e referências se salvaram do declínio técnico, dessa gripe danada que poderia muito bem sugerir que tivéssemos dez rebaixados. Seedorf cochilou no trecho final, Alex sofreu com lesões e sumiços, Forlán há muito não é notado, Juninho quebrou-se num momento crucial para o Vasco e Zé Roberto até banco pegou na formação extremamente defensiva que não defende no Grêmio. Os times ficaram dominados, sem saber o que fazer.

Quem menos teve baixas no elenco, foi quem mais comemorou. O Cruzeiro somou um grupo forte a uma grande resistência física. O Inter até poderia estar desfrutando da mesma calmaria, mas está preocupado demais em achar um câncer que ninguém sabe onde está ao certo, só que incomoda, que dói e incapacita.

Essa doença chamada dengo trouxe muitos empates horrendos, oxos desgraçadamente tediosos, duelos em que o futebol não foi convidado para entrar em campo. E a bola? A bola foi bem maltratada, provavelmente numa compensação por sua imensa feiúra. Quisessem um campeonato altamente competitivo e emocionante em todos os quesitos, começassem pela bola, não num brinde que vem junto com um botijão de gás. Ninguém queria levar ela pra casa, pro cinema, nem um motelzinho.

Não pudemos sentir a emoção de uma briga boa pela ponta. Em termos de disputa, tem sido mais interessante acompanhar os pacientes que ora voltam para o coma, ora conversam tranquilamente com seus familiares, sonhando com a alta. Eles estão ali recebendo a visita da menina saúde, que não vem para todos, infelizmente.

Lá embaixo, tem gente que vai ficar só na sopinha de hospital em 2014 e não vai poder reclamar. E o legal de tudo isso é que não dá nem pra cravar quem além de Náutico e Ponte Preta irá para o brejo. Vasco e Bahia querem deixar o Z4, mas o Z4 não quer, o Z4 não quer.

Não fosse a batalha pela sobrevivência, teria sido impossível segurar essa barra que é gostar de você, Brasileirão…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *