A grande romada da história do Leverkusen

É complicado imaginar que o Bayern perca a vantagem adquirida na Bundesliga e que caia cedo na defesa do título da Liga dos Campeões. Em 2001-02, quando os bávaros ainda comemoravam o caneco europeu e a salva de prata da Bundesliga, quem roubou a cena foi o Leverkusen, que protagonizou a maior romada do futebol europeu deste século.

Consegue enxergar alguma semelhança na tabela da Bundesliga desta temporada com a de 11 anos atrás? O Bayern lidera com 32 pontos, é seguido pelo Dortmund, com 28, e junto dos meninos de Jurgen Klopp está o Leverkusen, somando os mesmos 28. Essa ordem pode se inverter até o fim do campeonato, especialmente quando acrescentamos o fator Liga dos Campeões aos compromissos dos bávaros e dos aurinegros. Os aspirinas até podem sonhar com alguma coisa, mas devem lembrar do que aconteceu há mais de uma década.

Em 2002, no Leverkusen voou até a final europeia, perdeu para o Real Madrid e também sucumbiu na Bundesliga, onde era líder, faltando duas rodadas para o fim. Isso sem falar na derrota na final da Copa da Alemanha, para o Schalke. A coincidência entre esses eventos fica por parte do Bayern, que era o atual campeão continental e nacional. O time de Ballack, Zé Lúcio, Berbatov, Neuville, Paulo Rink e Kirsten parecia ter tudo para repetir o feito dos bávaros no ano anterior. Apenas parecia.

Vice-campeão com apenas um ponto a menos do que o Dortmund, o Leverkusen sofre até hoje com a pecha de time amarelão. Com apenas dois títulos em seu salão nobre (o da Copa UEFA de 88 foi o primeiro de sua história, pasmem), a equipe da farmácia conseguiu em 2002 a proeza de liderar por 16 rodadas antes de encarar uma sequência de três jogos sem vitória. Empatou fora com o Hamburg por 1 a 1, perdeu de virada para o Werder Bremen por 2 a 1 e ainda caiu para o Nürnberg por 1 a 0, a esta altura já ultrapassado pelo Dortmund.

Na última rodada, os aurinegros venceram o Werder pelos mesmos 2 a 1 que custaram a liderança aos Aspirinas, enquanto o Leverkusen bateu o Hertha em casa, também por 2 a 1. Caso o Dortmund apenas tivesse empatado, o título teria ido para Ballack e seus companheiros. Entretanto, o destino tratou de ser bem cruel. Ballack, aliás, chegou na Copa do Mundo de 2002 com muita moral, apesar da fraquejada do seu clube. Também foi vice naquele Mundial, perdendo para o Brasil e ficando de fora da decisão por estar suspenso.

Tri-vice

O conceito de romada não se aplica tanto ao caso da final europeia diante do Real Madrid, já que os espanhóis tinham um elenco bem mais sólido e um Zidane inspirado. Em 15 de maio de 2002, o Leverkusen viu Raúl abrir o placar aos oito minutos, empatou com Lúcio aos 13 e levou o que seria o mais belo gol em finais de LC de toda a história, um voleio fantástico de Zidane, no ângulo.

Pensa que acabou? Não, eles ainda perderam a final da Copa da Alemanha para o Schalke, por 4 a 2 (saiu na frente) se tornando o primeiro favorito ao título que conquistou um tri-vice. O que mais espanta no histórico recente dos Aspirinas é justamente o fato de eles terem repetido a romada de liderar a Bundesliga por 16 rodadas e ficar sem o título, em 2009-10, quando terminaram em quarto. Não chore, Ballack, o Bayern também já passou por isso, em 2012, ao perder a Bundesliga e a Copa da Alemanha para o Dortmund e a LC para o Chelsea.

Vale lembrar que mesmo tendo dado nome a uma modalidade de derrota, a Roma não é quem mais entrega títulos considerados certos. Essa verdade só saberemos ao fim desta temporada. Os giallorossi chegaram perto da façanha dos Aspirinas em 1983-84, quando foram vice na Serie A (Juventus foi campeã), vice na Copa dos Campeões (derrota nos penais para o Liverpool). O ano só não foi mais desgraçado porque pelo menos a Copa da Itália os romanistas levaram, derrotando o Verona na final por 1 a 0, graças a um gol contra de Ferroni.

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