O duelo de dois ícones nacionais na Copa UEFA de 79

Em 1979, a final da Copa UEFA colocou dois ídolos de Sérvia e Dinamarca frente a frente no duelo entre Borussia M´gladbach e Estrela Vermelha: Petrovic e Simonsen lideraram os seus times em busca do título europeu.

O Estrela Vermelha disputava a sua primeira decisão europeia em 1979, quando na Copa UEFA, enfrentou o segundo time mais forte da Alemanha naquela década. Com a dura missão de anular o ataque do M´gladbach formado por Allan Simonsen e Jupp Heynckes, os Delije não conseguiram segurar o ímpeto ofensivo dos Potros e ficaram com o vice.

Enfrentar adversários alemães na competição não era nenhuma novidade para Vladimir Petrovic e seus companheiros. Ao longo da campanha, enfrentaram três equipes germânicas. Na primeira fase, derrubaram o Dynamo Dresden e empataram no agregado em 6 a 6, se classificando graças a um gol salvador de Dusan Savic fora de casa, na derrota por 5 a 2. Em Belgrado, o troco veio com um 4 a 1. Na sequência, os sérvios ainda eliminaram Sporting Gijón, Arsenal, West Bromwich e Hertha Berlin ficaram pelo caminho do Estrela Vermelha, que aos trancos e barrancos garantia seu lugar na final.

Por outro lado, o Borussia vinha invicto, embalado e com algumas vitórias significativas. Eliminou Sturm Graz, Benfica, Slask Wroclaw, Manchester City e Duisburg. O time vinha voando e vivia tempos incríveis, impulsionados por cinco títulos da Bundesliga. Não era mais aquela potência nos tempos de Günter Netzer, mas o técnico Udo Lattek soube remontar seu elenco sempre que alguma peça saía. A base desse time multicampeão nacional foi mantida para 1979.

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Petrovic, capitão e craque do Estrela Vermelha
Foto: Blic.RS

Iugoslávia x Alemanha

As duas escolas eram igualmente competentes. O Estrela Vermelha trazia parte da seleção iugoslava daquela época, com habilidade e excelente condução de bola. O Borussia era o retrato da Alemanha: força na defesa, marcação e dois atacantes com muito recurso técnico.

Os craques de cada lado também tinham grandes qualidades. Petrovic, como meia-atacante, era muito veloz e inteligente, um legítimo articulador e ainda cobrava faltas com perfeição. Simonsen viveu seus melhores anos como atacante e tinha como principal característica a habilidade. Era o parceiro ideal para qualquer centroavante de área, já que criava oportunidades de gol em jogadas velozes e dribles desconcertantes pela lateral.

Matar ou morrer

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Simonsen, o primeiro grande jogador dinamarquês
Foto: DR.dk

A final foi disputada em dois jogos, sendo a ida no Marakana, em Belgrado e a volta no Rheinstadion em Dusseldorf (o Bökelberg, então casa do M´gladbach, não suportava público para uma decisão europeia). Em 9 de maio de 1979, o máximo que o Estrela Vermelha conseguiu fazer em seus domínios foi empatar em 1 a 1.

Tudo parecia dar certo para os sérvios, quando aos 22 minutos, saíram na frente com gol de Sestic, numa ofensiva toda trabalhada pela direita. Com um passe para o meio da área, o atacante só teve o trabalho de tocar para as redes. Já no segundo tempo, Jurisic fez contra e transformou a alegria em angústia no Marakana. Simonsen driblou um na lateral esquerda e rolou para Wohlers, que tentou o cruzamento para a área. Jurisic voou num peixinho e matou o goleiro Stojanovic, empatando a partida.

Simonsen, sempre ele

Duas semanas depois, voltaram ao Rheinstadion em Dusseldorf para o jogo que decidiu a taça para os Potros. Com o controle do jogo, o Borussia até sofreu pressão no começo e demonstrou nervosismo com algumas faltas mais ríspidas. Quando as coisas se acalmaram, o toque inteligente de bola dos alemães determinou o resultado. Simonsen, sempre ele, dominou um cruzamento vindo de um escanteio de Vogts, tirou o primeiro zagueiro com um leve toque e foi derrubado na área. O próprio dinamarquês deu cabo na tarefa de cobrar o pênalti e anotou o único gol da noite. Era o segundo título do M´gladbach na Copa UEFA em quatro anos.

Borussia M´gladbach 1-0 Estrela Vermelha
23 de maio de 1979, no Rheinstadion, Dusseldorf
Final da Copa UEFA, jogo de volta

M´gladbach: Kneib, Vogts, Hannes, Schäffer, Ringels, Schäfer, Kulik (Köppel), Simonsen, Gores, Wohlers e Lienen. Técnico: Udo Lattek

Estrela Vermelha: Stojanovic, Jovanovic, Jovin, Muslin, Miletovic, Jurisic, Petrovic, Blagojevic, Savic, Milovanovic (Sestic) e Milosavljevic. Técnico: Branko Stankovic

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