Seeler, o pequeno tanque

Uwe Seeler não tinha mesmo pinta de jogador. Baixinho, com poucos cabelos, gordinho e com cara de padeiro, o atacante do Hamburg ganhou fama pelo seu faro de gols pelos Rothosen e pela Seleção alemã nos anos 60.

Muito antes da fundação da Bundesliga, o futebol alemão ainda não conhecia algumas de suas maiores lendas como Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Sepp Maier e os astros que fizeram do Bayern a primeira potência germânica na Europa. Em 1954, a Alemanha de Helmut Rahn, Max Morlock, Fritz Walter e Hans Schäfer derrotou a poderosa Hungria de Puskas na final da Copa do Mundo e colocou definitivamente o futebol de seu país no mapa das grandes forças.

Neste mesmo ano, com 16 anos de idade, um certo baixinho chamado Uwe Seeler estreava como profissional marcando quatro gols contra o Holstein Kiel pelo Hamburg, equipe que ele defenderia até 1971, ignorando o assédio de outros grandes clubes europeus. A verdade é que a arte de fazer gols era quase um passatempo para Uwe, que conhecia como poucos o caminho das redes.

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Foto: Welt

No alto de seus 1,70m, Seeler fazia milagre com o seu porte físico robusto. Virou mestre em cabeçadas e chutes acrobáticos. Sempre que o camisa 9 ficava sozinho dentro da área ou no mano a mano com o goleiro, significava perigo para o adversário. E na massacrante maioria das vezes, terminava em gol.

Seeler foi extremamente prolífico e letal, não precisava de muitos toques na bola para definir um lance. Era tão objetivo quanto os maiores nomes na posição, com o seu jeito de tanque. É também o que podemos chamar de trombador, um estilo que marcou época no futebol alemão nos anos 80 com Klaus Fischer, Dieter Hoeness, Horst Hrubesch e Karl Heinz-Rummenigge (este bem mais habilidoso do que os demais).

Ao longo de mais de 17 anos de carreira, Uwe foi artilheiro, capitão e líder do Hamburg. Presente em quatro Copas (1958, 62, 66 e 70), também foi campeão alemão em 1960 e da Copa da Alemanha em 63. A France Football o colocou entre os três finalistas do troféu Bola de Ouro no ano de 60, votação em que ele ficou atrás de Luis Suárez e Puskas.

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Foto: Bild

O gol de cucuruto

Seeler acreditava na mesma teoria defendida por Dadá Maravilha. Não importava se o gol era feio, o que valia mesmo era fazê-lo. Esse conceito ficou provado quando ele marcou contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa de 70. Ao subir de costas para as traves, tocou com o topo da cabeça para o gol de Banks, empatando a partida em 2 a 2. Naquele dia, a Alemanha saiu perdendo de 2 a 0 para os ingleses e conseguiu virar na prorrogação, graças ao artilheiro Gerd Müller.

Uwe comentou esse lance de sorte em entrevista ao site da FIFA: “Não penso que é algo que você treine. Foi mais uma virtude do que uma necessidade. A bola ia passando por cima de mim e eu estava correndo de costas, o que tornou a manobra ainda mais difícil. Quando ela bateu no topo da minha cabeça e entrou, creio que isso não aconteceria se eu não tivesse um pouco de sorte”.

Seus números foram impressionantes: 404 gols em 519 partidas pelo Hamburg e pela Seleção alemã. A sua melhor temporada foi justamente a que lhe rendeu uma indicação à Bola de Ouro: 36 gols em 1959-60.

O jogo pelo Cork Celtic

O único outro time que pode dizer que já teve Uwe Seeler vestindo a sua camisa foi o Cork Celtic, da Irlanda, em 1978. Em apenas uma partida, o alemão fez dois gols. O Celtic foi extinto no ano seguinte, mas pouco antes disso, também havia contratado outras estrelas mundiais como George Best e Geoff Hurst, em 76.

Uwe Seeler
Nascimento: 5/11/1936, em Hamburgo – Alemanha
Posição: Centroavante
Clubes: 1953-72 Hamburg (*1978 Cork Celtic)
Títulos: Campeonato Alemão 1960, Copa da Alemanha 1963
Participações em Copas: 1958, 62, 66 e 70

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