O perigo na liderança da Roma

Não se monta um time campeão do dia para a noite. Não se ergue um elenco totalmente comprometido com o título e intransponível em questão de três meses. A Roma ainda tem muito o que progredir se quiser o título italiano.

Quando a Roma jogou mal diante do Chievo na rodada de meio da semana passada, alcançando a marca de 10 vitórias em 10 jogos, ficou a impressão de que uma das principais características de um campeão estavam presentes na formação de Rudi Garcia: vencer até quando a técnica não entra em campo, coisa que a Juventus se acostumou a fazer no seu último scudetto.

É de se admirar que a defesa com Castán e Benatia seja tão sólida, que o meio campo com De Rossi, Pjanic (Bradley) e Strootman é eficaz com a bola nos pés e na marcação. Entretanto, desde que Destro, Totti e Gervinho desfalcaram a equipe giallorossa por lesão, a escalação de Borriello tem sido um problema para Garcia. O centroavante tem sérias dificuldades em jogar com os pés e quase sempre mata as ofensivas quando recebe de costas para o gol. Bom cabeceador, resolveu o duelo contra o Chievo, mas teve atuação desastrosa contra o Torino, jogo em que a Roma perdeu seus 100% de aproveitamento num empate por 1 a 1.

Evidente que um empate não é o fim do mundo para os romanistas, até mesmo porque Juventus e Napoli -os principais concorrentes- terão duelo direto na próxima rodada. Sob pressão do Torino, a defesa composta por Burdisso e Benatia sofreu demais e viu De Sanctis fazer pelo menos quatro defesas determinantes para que o resultado fosse o 1 a 1 em Turim. Benatia estava completamente perdido, levou seu terceiro cartão amarelo e está suspenso contra o Sassuolo, Balzaretti lembrou porque era tão criticado nos tempos de Palermo por sua cobertura deficiente e Maicon abusou da displicência com passes errados e a previsível jogada em velocidade pela direita, aquela que sempre termina em cruzamento.

Pjanic parece ter se empolgado demais e também quis resolver sozinho a questão em algumas oportunidades. O que conseguiu? Ser desarmado. Era de se esperar que com tantas faltas cometidas pela retaguarda do Torino, o bósnio tivesse a responsabilidade de cobrar esses tiros livres, mas essa função ficou com Ljajic, que entrou no segundo tempo e botou fogo no jogo em jogadas individuais. Depois do gol de Cerci, a Roma foi com tudo para o ataque e fez o que sabe melhor: sufocar o oponente com uma rápida troca de passes e chutes de fora da área. Foram 20 minutos intensos por parte dos visitantes, mas que terminaram com gostinho de frustração.

Sem outro homem de referência, especialmente quando Borriello sai (infelizmente ele é o único em condição de jogo, já que Totti ainda está lesionado), fica difícil levar perigo dentro da área, onde a Roma tem facilidade de chegar. Quando o primeiro turno se for, é ideal que Garcia tenha mais uma cartada em mente, talvez ir ao mercado para buscar um ou dois nomes. Pjanic e Florenzi foram improvisados no ataque, o que não foi uma saída tão boa afinal. Ljajic, que vez ou outra jogava de atacante na Fiorentina, substituiu Borriello, mas ficou muito recuado, ocupando o setor do meio campo até quase a meia-lua.

A margem de erro pode ser pequena demais para a Roma, que já se complicou em três jogos seguidos. (Udinese, Chievo e Torino) Não se pode contar com a sorte até o fim do campeonato, sobretudo quando equipes como Napoli e Juventus são os principais rivais nessa disputa. Rudi Garcia fez um excelente trabalho estabelecendo um recorde como essas 10 vitórias, mas pode ir além se encontrar o equilíbrio no seu elenco, se conseguir fazê-los entender que o momento de se comportar como o time a ser batido ainda não chegou. A Roma não pode jogar como se de repente tivesse virado a principal força no país, que resolve seus confrontos na hora que bem entende.

Para que esta Roma seja taxada como “avassaladora”, é preciso primeiro conquistar algo.

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