Endinheirado, Monaco pode superar próprio recorde

O Monaco já está nas cabeças para tentar o título da Ligue 1 e deve repetir a própria façanha, além da do Nottingham Forest: os milhões gastos com novos atletas podem impulsionar a equipe do principado ao tão sonhado título da Liga dos Campeões?

É uma proeza e tanto sair da segunda divisão e buscar o título da elite do seu país logo no ano seguinte. Pouquíssimos clubes podem se gabar desse feito e o Monaco é um deles. Logo que lembramos de acessos seguidos de títulos, é impossível não citar o Nottingham Forest de Brian Clough, que já tinha conseguido algo parecido no Derby County (subiu com os Rams em 1969, foi campeão da First Division em 1972). O que intriga mais no mito do Forest é justamente o fato de emplacar um acesso, um título na elite e depois disso a taça da Copa dos Campeões da Europa, com um plantel que não era baseado em estrelas.

Na história do futebol, apenas Monaco (1978), Saint-Étienne (1964), DWS Amsterdã (1964), Kaiserslautern (1998), Ipswich Town (1962) e Nottingham Forest (1978) integram o rol dos times que subiram da segunda e venceram a primeira divisão em sequência.

O que parece ter em comum neste dado é que em 1978 o Monaco também tinha um atacante sul-americano como principal goleador. É bem verdade que Delio Onnis (maior artilheiro de toda a história da Ligue 1 com 299 gols por Stade de Reims, Monaco, Tours e Toulon) era italiano e naturalizado argentino, mas vale em termos de registro. Em sete anos no Stade Louis II, Onnis anotou 157 gols.

Endinheirado e com um elenco que lhe permite se sobressair ao restante dos concorrentes da Ligue 1 (mesmo privilégio do Paris Saint-Germain, que está com suas atenções na Liga dos Campeões), o Monaco não tem outra grande competição para desviar seu foco, ao contrário do PSG. Mas, neste caso, as coisas foram simplificadas com a montagem de um elenco altamente competitivo e com estrelas de outras ligas. Se só Falcao já daria aos monegascos outro nível, some também as chegadas de Abidal, Toulalan, James Rodríguez e João Moutinho. Um dos principais jogadores dos rouge-et-blanc, no entanto, é Rivière, atacante que já estava no plantel desde janeiro de 2013, vindo do Toulouse.

Não será nenhuma surpresa se o PSG for longe na Europa e o título francês sobre para o pessoal do principado. Dividindo a liderança da Ligue 1 com os parisienses e somando 25 pontos, o Monaco vê o Lille bem próximo, com apenas dois pontos atrás. E convenhamos, nem é preciso uma rápida comparação entre os 11 titulares para apontar Falcao e sua turma como favoritos. O primeiro confronto direto entre monegascos e Les Dogues acontece na próxima rodada, no Grand Stade Lille Métropole.

Em onze partidas, nenhum dos dois líderes perderam sequer um confronto. Foram sete vitórias e quatro empates. O Marseille, que seria o adversário óbvio da dupla, está em sexto, com 17 pontos. Quando essa história tiver seu desfecho, e claro, no caso de título, é normal aguardar um outro passo maior por parte da agremiação do principado. Sabemos que Dmitri Rybolovlev tem cacife para bancar novas e impactantes contratações, mas essa força vai se mostrar logo de cara na Europa?

Clough pode descansar em seu túmulo, que isso não vai acontecer tão cedo. Em tempos que a Liga dos Campeões é disputada por tantos concorrentes fortes, sejam eles campeões nacionais ou não (como o Borussia Dortmund e o Real Madrid), é exagero demais projetar o Monaco superando algo a mais do que a própria marca. Com um caminhão de grana na garagem, até eu, Ranieri.

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