Apenas um punhado de hobbits contra esse mundão todo

“Vocês organizaram isso pelo Twitter?” Sim, Márcio Canuto, foi tudo pelo Twitter. É, tem gente que nunca vimos na vida. E você acredita que vão viajar de outros estados? Exatamente, só para jogar. “Sensacional, e foi pelo Twitter?”.

Mais difícil que convencer o mais intrépido repórter da Rede Globo de Televisão que organizamos a Copa Trifon Ivanov pelo Twitter foi enfrentar os times adversários com uma média de altura similar à de um time sub-13 com distúrbios de crescimento.

Esse problema foi minimizado porque os seis hobbits eram defendidos por um Aragorn que gosta de acarajé e tinham a magia áerea de um Gandalf (GUMdalf) com apelido contraditório.

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Bonsa marcando um dos gols contra o CPTM

Com essas armas, os menores craques da Pompeia impressionaram nos primeiros dois jogos com boas vitórias contra um time que tinha a defesa sólida que nem uma pedra e outro que era rápido como um trem.

Os críticos da bola quadrada, os míopes cronistas esportivos, os comentaristas precipitados de boteco apontaram o Neuchatel Chavantes como um dos favoritos, mas ignoraram a dificuldade dos adversários que vinham pela frente e o notável equilíbrio de forças que apenas um torneio búlgaro-brasileiro pode proporcionar.

Isso ficou visível nos próximos jogos. Dois empates, contra uma equipe mezzo muçulmana, mezzo caiçara, e outra que tem como craque um Cristiano Ronaldo de araque, colocaram os pés sujos dos hobbits no chão.

As quartas de final foram o momento mais tenso. O capitão dos adversários ignorou as suas origens, colocou o anel no dedo, ficou malvado e distribuiu pontapés. E empurrões. E saiu derrotado.

Infelizmente, a jornada dos pequenos-gigantes parou por aí. O artilheiro do campeonato acertou uma falta certeira, inacreditável, improvável, daquelas que entra uma vez a cada dois mil anos, e demoliu o espírito dos hobbits, que viram o precioso troféu escapar pelos dedos e arder na lava quente do Playball mais famoso do mundo.

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Um texto sobre pessoas (Por Felipe Paranhos)

1940 km e um medo absurdo de avião me separavam de São Paulo naquele 5 de outubro. Esse cagaço de voar, inclusive, quase me tirou do campeonato. Mas a chance de aproveitar a Copa Trifon Ivanov fez com que eu não desistisse de passar duas horas pensando no que seria publicado sobre a tragédia do voo 1161 da Gol, que partia de Salvador para São Paulo e matou mais de 100 passageiros.

(Sim, quem tem fobia de voar não tem a menor racionalidade)

Depois de testemunhar todo a sessão de embelezamento de Marcus Lellis — o Cristiano Ronaldo da baixada —, que incluiu dedicadas aplicações de escova e secador no cabelo, fomos ao Playball Pompeia. Aliás, não sem antes encontrar parte do pessoal no terminal da Barra Funda. A maioria deles eu sequer reconheci. Monte de moleque feio, putaquepariu.

Mas, 15 minutos depois, parecia que todo mundo se conhecia há um tempão. Amigos de infância, fomos falando besteira até o Playball. Lá, cada um tirou sua foto com o Canuto, cada um foi se entrosando entre os colegas de time, cada um foi se envolvendo no campeonato. Inclusive, as namoradas dos jogadores foram dando sua contribuição, ora com a mesa, ora com as fotos, ora com a corneta, deixando todo mundo tranquilo pra se preocupar apenas com o belíssimo futebol apresentado.

Falando nisso, não à toa, o campeonato foi ganhando tensão jogo a jogo. Quem se lembra que a primeira partida foi apitada pelo Leopoldo, quebrando o galho na ausência dos árbitros? Pois bem: no fim, teve até jogador — sempre ele, o aparecido Lellis — querendo bater no homem de preto patrocinado pelas Havaianas. E o próprio Leopoldo, outrora mediador, discutindo com todo mundo no campo.

Até por isso, foi bom que o time do Portes tenha ido pra final. Assim, todo mundo pôde concentrar a corneta em um só tom. Mal ou bem, a putaria que se iniciou ainda na semifinal com os gritos de olé e a virada épica no melhor jogo da Copa (maldito Luccas Oliveira, maldito gigante que tapou minha visão, maldito gol de falta) ajudou a amenizar os poucos ânimos exaltados.

No fim das contas, o resultado da Copa Trifon Ivanov não teve a menor importância (se fode aí, Portes). Sei que é piegas, mas minha sensação é a de que o campeonato foi um excelente pretexto pra fazer amigos. Que venha a segunda edição, com novas histórias e novos resultados irrelevantes — a menos que o meu time ganhe o título, claro.

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