As nove locomotivas

A epopeia do rubrocromado metropolitano começou sem mim. Coube a Emanuel Colombari escolher o nome do time e participar das primeiras etapas da gestação da Copa Trifon Ivanov, até notar que o casamento de um amigo estragaria o dia mais feliz de sua vida.

Entrei nesta NAVE LOUCA com as coisas já andando e coube a mim pouco mais do que escolher as cores da camisa (a mais bonita, por sinal, combinando a força e potência de um MIG soviético com o coletivismo involuntário de um trem da CPTM) e aguardar o sorteio dos jogadores. A partir daí, mais espera até o emblemático cinco de outubro.

Nós começamos a nos encontrar ainda na Barra Funda – com a companhia do Mané, que quebraria um galho no gol nos primeiros jogos até a chegada do atrasado Clements. No fim das contas, fomos um dos dois primeiros times com QUÓRUM e coube a nós (não ao Borgo, chupa) fazer o jogo de estreia da Copa naquele CPTM Москва versus Guarujasaray que será sempre lembrado pelo pontapé inicial DELE, o Canuto (puta que pariu, é o maior repórter do Brasil). Era a hora da verdade: a camaradagem vista pelas trocas de e-mail que seguiram o sorteio precisava ser traduzida em futebol.

…e foi fantástico. Não poderia ter escolhido conscientemente um time melhor: Mané pegou como nunca, Filócomo mandou prender e mandou soltar na zaga, eu furei as primeiras duas ou doze tiradas à la Tonhão mas depois acertei o tempo de bola. Zanni e Artur cadenciaram o jogo como se fossem irmãos e o gigante Chiorino fez o nosso futebol MAIÚSCULO lá na frente. Atropelamos o time que até então era a equipe a ser batida, pelo entrosamento da Rua Rocha (essa farsa). 3 a 0 e um peso que saiu das nossas costas.

O jogo seguinte, depois de um descanso bem breve, foi contra a forte Palmarense. Já com a equipe completa e o dedicado Mané na linha, dando espaço no gol pro milagreiro Clements, nos mostramos fortes mais uma vez e batemos o time do Moret por 1 a 0, SOFRIDO. Destaques para a cabeleira do Giovanni e para o bullying sofrido pelo Bonilha – nada merecido, aliás, já que o MELHOR BONILHA entrou bem em todas as oportunidades.

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Tivemos um pouco mais de descanso dessa vez e enchemos a cara, ouvimos histórias do Canuto, xingamos o Borgo (chupa) e o Portes (pôster do Djokovic no quarto), tentamos forçar a ala gaúcha a MORALIZAR a churrasqueira. Desconcentrados e desfalcados pelo Mané, que havia ido embora, tomamos 4 a 1 no Neuchatão. Pra mim, o jogo valeu pela foto do viril carrinho com que desarmei o Miudovisk. Voltamos logo à corneta.

Muito tempo depois, decidiríamos nosso caminho no derby contra o (chupa) Borgo. Depois de meses de uma rivalidade alimentada pelo lado mais fraco, como todas são, começamos fazendo valer a lógica e abrimos o placar. Como futebol é uma caixinha de surpresas e até um time muito mais fraco às vezes consegue fazer frente a uma potência, o neoobeso Felipe Castro marcou no último lance e conseguiu arrancar o empate com gostinho de vitória para o time FEMININO.

Isso nos colocou frente a frente com o Bayern de Mairinque do Thom. Um jogo pegado, forte, voluntarioso, verdadeeeeeiro como era o esperado de um embate entre favoritos. Fomos perfeitos e cercamos a laranja mecânica, mas o azar nos assombrou com uma bola na trave do Chiorino que rolou paralela à meta do goleiro Stein sem que um pé cromoencarnado aparecesse pra nos empurrar rumo às semis. Nos pênaltis, nosso Zico hetero, depois de nos carregar até ali, acabou perdendo e fazendo daquele jogo das quartas a nossa Tragédia do Sarriá particular.

Fomos grandes e paramos pelo acaso. No fim das contas, o Bayern ter sido vice nos pênaltis, sem a derrota para o Rad (camisa feia, de quadradinho, todo croata que eu conheço é viadinho), nos mostrou que caímos de pé: não conseguimos vencê-los, mas nem os campeões o fizeram. O bronze da Palmarense também nos deu a sensação de que poderíamos ter ido mais longe do que os DEUSES DO FUTEBOL nos permitiram esse ano.

É provável que não exista CPTM Moscou em 2014, e que, se ele existir, seja representado por outros jogadores sorteados. Mas sempre baterá dentro do nosso peito um coração superfaturado pela Siemens em aço escovado e vermelho.

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