Em Paranapiacaba havia um sapo enterrado

A Copa Trifon Ivanov foi sensacional. Esse era o consenso entre todos os que jogaram e assistiram ao final do campeonato. Mesmo entre os que estavam em times que perderam, como o nosso.

O grande segredo da Copa foi reunir um monte de gente ruim e fora de forma que não sabia jogar bola. Nem adianta falarem o contrário: 90% das pessoas ali não tinha a menor noção do que fazer com a bola no pé, e os dois times que tinham jogadores que se destacaram (Rad e Bayern) fizeram a final.

O pior de tudo é que o Paranapiacaba estava até bem armado. Tinha um goleiro bom (O Guilherme, que ganhou o PRÊMIO RAVELLI), um zagueiro-zagueiro (o Marco Losso), quatro caras que corriam (o Raatz, o Bigode, o Bonilha hétero e o Victor Martins) e dois gordos, eu e o Edu, tentando compensar a lentidão com imposição física. O Edu conseguiu. Eu não.

No primeiro jogo, contra o Canabi, o Losso ainda não estava. Tomamos um gol em bola desviada, mostrando o que seria a característica do time na competição: o azar. Ainda empatamos, chutamos bolas na trave, o 1 a 1 ficou bacana, ficamos naquela expectativa de “no próximo jogo será melhor”

Só que a tabela foi ingrata com a gente e ficamos umas duas horas sem jogar. O time esfriou e na volta foi jogar com o Rad. Pra ter ideia do quão bizarro foi o jogo, perdemos de 1 a 0 com um gol do Portes. DO PORTES! De novo, aquela rotina de chances perdidas, bolas na trave e tudo aquilo que era típico de um time EMPERRADO: atacava, jogava bem, mas as coisas não aconteciam.

Logo depois, enfrentamos o Bayern. Isso mesmo, campeão e vice numa tacada só. E jogamos melhor. Saímos na frente, eles empataram num gol estranhíssimo, atacamos, sufocamos, mas lá estavam o goleiro e a trave nos afastando da felicidade de novo. E num contra-ataque isolado, eles fizeram 2 a 1 e venceram.

Não é arrogância: jogamos de igual pra igual com os dois melhores times da Copa. Não ganhamos porque os DEUSES DO FUTEBOL quiseram que a final fosse Rad x Bayern. E chegamos na última rodada cansados, depois de três jogos com muito pouco tempo de descanso, e precisando ganhar de qualquer jeito do America do Soul.

Daí o sapo enterrado fez diferença de novo: o América fez gol no primeiro lance do jogo. Ainda empatamos duas vezes, mas o jogo NÃO ORNOU, o time já estava muito nervoso com a maré de azar e acabamos perdendo. Foi um merda. Todo mundo saiu puto. As coisas simplesmente não aconteceram e todos ficaram com aquela sensação de que tudo poderia ter sido diferente.

Nesse clima de desânimo, fomos jogar a PARTIDA DA DESONRA contra o time da Rua Rocha. Começamos mal e tomamos 1 a 0. Empatamos. Fomos pros pênaltis. O Guilherme foi o herói, cobrando um e defendendo outro. E, pelo menos, escapamos da lanterna. (e nossa comemoração foi muito melhor que a do título do Rad)

O futebol foi pífio, o nível técnico foi ridículo, eu fiquei com vergonha de ver o quanto estou jogando mal. É ridículo mesmo, eu provavelmente não sairia do bobinho numa roda com crianças de oito anos. Os caras do time foram bem , tiveram honra, jogaram com raça até o final. Não vou ficar falando aqui que um foi melhor e o outro pior, tá todo mundo no mesmo limbo de mediocridade, não cabe análise técnica.

Mas o campeonato foi uma baita CATARSE. Pegar um monte de caras que nunca se viram na vida e juntar num time de futebol é um baita negócio sensacional. Demos azar, não foi dessa vez, mas da próxima as coisas dão certo. Ou não. É a vida. A gente perde e a gente ganha. Tem gente que joga melhor e gente que joga pior. O importante é que todo mundo se divertiu e todo mundo do time saiu bem (exceto o Victor, que saiu machucado).

A organização foi toda sensacional e eu fico feliz demais de ter feito parte disso, ainda que com um papel menor. Lembro que a Copa Trifon Ivanov começou numa conversa totalmente informal entre eu, o Portes, o Júlio Pinheiro e o Thomas em julho, logo após a ImpedCopa (sim, ela nos inspirou e nunca escondemos isso). Saber que dessa conversa saiu um campeonato de futebol bacana pra caramba em que quase 100 pessoas jogaram, comeram churrasco e se divertiram pra caramba é uma alegria maior do que ganhar ou perder qualquer coisa que seja dentro de campo.

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