Toda a dor e a ansiedade valeram a pena

Ninguém queria ganhar esse campeonato mais do que eu. Desde o momento em que eu reservei a quadra para o campeonato lá em julho, queria jogar cada minuto como se fosse o último e lutar pelo título. Na prática as coisas não foram bem assim, mas não tenho nada do que reclamar.

A Copa Trifon Ivanov dava pinta de que seria osso duro de roer quando a gente enfrentou logo o Bayern, nosso adversário que se repetiria na final. Tínhamos um time que ninguém (exceto eu e o Luís) havia jogado junto e teve de se adaptar, assim como todos do torneio (exceto o Guarujasaray, que mesmo assim foi a pior equipe do certame). O empate inicial em 0 a 0 mostrou que seria bem difícil se sobressair. O nosso grupo foi equilibrado com América do Soul, XV e Canabi além do próprio Bayern, que mereceu demais estar na final.

Os meninos comeram a bola. Não aproveitaria esse texto pra mentir que joguei bem ou que fiz uma grande jogada. Animei fazendo o primeiro gol do time contra o XV e pensei que seria um bom dia, mas quem brilhou mesmo foi o Luccas, que fez 11 gols, salvou a gente em duas viradas e carregou o time quando estávamos mortos demais pra reagir.

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Cair de testa no chão ao fingir uma contusão: quem nunca?

Lá atrás, o Renato esteve com um tempo de bola muito bom, Luís desarmou todo mundo na cancha e era onipresente, Gui Lopes era o homem forte da ligação do contragolpe e eu, bem, matei algumas saídas de bola. Não poderia terminar esse parágrafo sem citar o seu Antony, que entrava no fim pra segurar a bola e do Euan, que foi o nosso homem pensante. Nosso goleiro? Apesar de baixinho, o Gui Canosa jogou uma bola monstruosa e fechou o gol. Só levamos gols na semifinal e na decisão. Votei nele como melhor arqueiro do campeonato e seria justíssimo se ele vencesse o troféu Pagliuca, já que também pegou dois chutes na disputa de pênaltis.

Foi bem divertido ver que a galera entrou no espírito da cornetagem. Quase todos os “atletas” foram xingados em campo e comigo não seria diferente. De vez em quando eu entrava na brincadeira e mostrava o dedo médio, colocava as mãos no saco, tudo na boa. Foi muito bom ver essa intimidade da torcida com os jogadores. Quem se arrisca a entrar jogando deve saber que está sujeito a ouvir berros vindos da grade durante todo o dia. A graça da Copa Trifon Ivanov é justamente essa: xingar todo mundo, mesmo que você não conheça e não se ofender quando acontecer o inverso.

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Luccas comemora o gol de virada na semifinal contra o Neuchatel

Duas memórias que eu sempre vou guardar do campeonato: quando levamos a virada do Neuchatel na semifinal (o jogo que mais exigiu da gente) e quando acertei o pênalti na decisão. Parecia difícil demais sair da zona de conforto, acertar alguma bola que viesse no meu pé. Quando pela primeira vez estivemos em desvantagem, aquilo tudo caiu nas minhas costas. Já estava nervoso quando ganhava, imagine então perdendo. A motivação voltou só no fim do jogo, quando fomos buscar o empate. Eu não ia acordar pro jogo se não tivesse me dado um tapa na cara e batido no peito. Na hora ninguém entendeu o que aconteceu e acharam que eu tinha me irritado com algo. Era só uma forma de trazer de volta aquele cara que eu não tinha conseguido ser ainda. (Sim, peguei esse comentário do Caio Ribeiro).

Como o Luccas jogou bola. Puta que pariu. Perdi as contas de quantas vezes descia até a área e do nada ele fazia um gol. Comemorei como se fossem meus. Se me perguntassem se eu gostaria que algo mudasse no sábado, só queria ter sido mais útil, o que posso consertar na próxima edição.

No mais, foi lindo ver que a quadra lotou de gente adorável. Abracei todo mundo mesmo e não tô nem aí, não é todo dia que a gente consegue reunir o twitter quase inteiro num lugar só. Por isso considero que a primeira edição da Copa Trifon Ivanov foi um sucesso. E claro, poder sair campeão logo de cara é uma sensação incrível. É o primeiro campeonato que eu venço jogando, fico muito feliz de estar num time que deu certo e ter colaborado no jogo mais importante, ainda que sem marcar. Agora é lutar pelo bicampeonato e comemorar que o evento tenha sido tão bom quanto a gente sonhou nas semanas que antecederam esse dia 5. Foi melhor que a encomenda.

Toda a dor que eu sinto nas pernas, nas costas, no pescoço e nos braços não me tiram o gostinho de ter participado disso. Faria tudo de novo e não ligaria de ter saído com alguma lesão séria. Obrigado a todos que estiveram lá, vocês me deram o melhor sábado da vida.

Uma estreia vencedora e incontestável (Por Luccas Oliveira)

Quem me segue naquela bela rede social chamada twitter sabe muito bem que, nas últimas semanas, eu não conseguia esconder a ansiedade pela chegada da Copa Trifon Ivanov. Sair do Rio e ir até São Paulo para jogar um campeonato de futebol com ~amigos virtuais~ e pessoas desconhecidas, com direito a pontapé inicial do MITO Marcio Canuto, churrasco e cerveja, era bom demais para tratar com indiferença.

Mas jamais conseguiria imaginar que seria como foi – e sinto que essa é um impressão não só minha, mas de todos os participantes, por maiores que fossem as expectativas de cada um. Um evento em que tudo transcorreu na mais saudável diversão e corneta coletiva, com pessoas que nunca tinham se visto se abraçando e se xingando como amigos de infância, jogos emocionantes (que se dane o nível técnico), arbitragem duvidosa e tudo o que os corneteiros que tanto curto acompanhar no twitter mais gostam.

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Gol de Luccas contra o Borgo, nas quartas de final

Feito essa introdução fofinha, vou me ater ao que vivi no campeonato. Primeiro que, por só conhecer o Portes, eu não tinha a MENOR ideia do que esperar do desempenho do Rad. Eu ia olhando para a fuça dos meus futuros companheiros de equipe e só pensava “chegar nas quartas está no lucro” – impressão que durou até o momento em que um maluco com cara de 12 anos veio me falar que seria meu goleiro, aí eu só torci pra não passar vergonha.

Mas foi exatamente o contrário. Joguei ao lado do Luís, do Renato, do Antony, do Euan, do Gui e do Portes, ótimos caras, que foram tão fundamentais para o título quanto eu, cada um da sua maneira. E o goleiro de 12 anos? Meu Deus, o Guilherme pegou até pensamento. Nos ajudou a ter a defesa menos vazada do certame, além de ser o herói do título, pegando dois pênaltis na disputa final (menção honrosa para o Luís, que converteu a cobrança decisiva com perfeição).

Não vou ficar pagando de HUMILDÃO aqui e dizer que sou indiferente às conquistas individuais. Nunca joguei tanto quanto na Copa Trifon Ivanov, nunca fiz um gol de falta tão bonito quanto aquele de empate contra o Neuchatel, na semifinal, nunca me senti tão odiado (desculpa, adversários, eu tava chato pra cacete aquele dia), nunca fui tão decisivo e nunca apanhei tanto (quase quarta-feira e continuo andando que nem um pelicano). Acima de tudo, nunca imaginei que ia sair do Playball com o título, 11 gols e duas assistências. Foi meu dia de glória no futebol de várzea e jamais esquecerei dele.

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Dá o bote, Lobo!

Mas a minha felicidade fica completa por ter feito isso tudo em um evento tão legal quanto a Copa. E, como falei no dia para algumas pessoas, teria o mesmo sentimento se o Rad tivesse sido eliminado na fase de grupos com gol contra meu. Por isso, agradeço à todos os organizadores, todos meus companheiros, adversários, às pessoas que me xingaram mentalmente da arquibancada, ao Mateus, meu segurança particular que torceu por mim em todos os jogos (menos na semifinal, minha melhor atuação, COINCIDENTEMENTE), aos meus irmãos derrotados e às pessoas que continuam sem ter a menor ideia da minha existência. Não vejo a hora de me inscrever para a EDIÇÃO DE VERÃO e viver isso tudo de novo, amigos.

P.S.: gostaria de lamentar que os DEUSES DO FUTEBOL não permitiram o duelo entre Rad e União Agrícola, dos meus amigos chiliquentos Marcus Lellis (o Quaresma de Ubatuba) e Murillo Moret (oi, Mu :D). Eles juram que são “”””campeões morais””””” e tal, o que é curioso se pensarmos que o Rad teve a melhor defesa, um dos melhores ataques, o artilheiro, o melhor goleiro sub-20, o capitão que melhor simulou uma lesão etc. Vou deixar o leitor tirar suas próprias conclusões, e torcer para que esse encontro aconteça na próxima edição.

3 pensamentos em “Toda a dor e a ansiedade valeram a pena”

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