Cruyff foi chamado de velho pelo Ajax e se vingou

Em 1983, Johann Cruyff já havia desfrutado de tudo que um atleta poderia sonhar na carreira. Exceto a final da Copa do Mundo de 1974, cujo título foi para a dona da casa Alemanha, o maior craque holandês de todos os tempos não podia reclamar do que conquistou em quase 20 anos como profissional.

Cruyff havia acabado de sair do Ajax, onde brigou com os dirigentes que não queriam renovar seu contrato por mais uma temporada. Campeão holandês, se viu forçado a procurar outro clube. E achou: o Feyenoord. Apesar da torcida protestar com a sua chegada (vamos lembrar que as duas equipes protagonizam a maior rivalidade holandesa), Johann estava mais procurando uma chance para provar que estava certo do que propriamente agradar a massa em Roterdã.

Ao lado de Ruud Gullit, promessa que veio do Haarlem, e Peter Houtman, Cruyff iniciou sua jornada final no De Kuip e mostrou que mesmo com 36 anos de idade ainda tinha muito o que mostrar. E de cara exibiu seu arsenal completo de truques. Os dribles rápidos, as arrancadas e a inteligência ao executar passes por entre a defesa ainda estavam ali. Com a camisa 10 do Feyenoord, o maior ícone se despediu do futebol como atleta com os títulos da Eredivisie e da Copa holandesa.

A vergonha e a arrancada

A façanha veio com cinco pontos de vantagem para o vice-líder PSV. O Ajax, que teve de engolir a seco o talento incontestável do coringa, ficou em terceiro, seis pontos atrás. Entretanto, num duelo direto entre eles, no primeiro turno, os Godenzonen puniram Cruyff e seus colegas pela heresia: com um placar de 8 a 2 no De Meer, em Amsterdã, o Feyenoord saiu humilhado de campo e com uma clara missão de tentar retribuir aquela tarde de 18 de setembro de 1983.

Depois disso a equipe de Roterdã só perdeu mais uma partida no campeonato, para o Groningen, fora de casa. No De Kuip, era difícil ameaçar o reinado da dupla formada por Cruyff e Gullit no meio-campo. Maestro do time, o veterano camisa 10 ensinou muito ao jovem colega, que seria a estrela da seleção holandesa num futuro não muito distante.

Cruyff Feyenoord

Foto: Telegraaf.nl

A vingança

Na rodada 24, em fevereiro de 1984, o De Kuip recebeu a revanche entre Feyenoord e Ajax, vencida pelos donos da casa por 4 a 1. Não com a mesma diferença de gols, mas serviu para saciar aquela sede de vingança. Se Thijs Libregts não venceu o PSV em nenhum dos dois encontros, não pode reclamar que saíram tão envergonhados assim dos duelos com o Ajax.

Ao contrário do que se pensa, o Feyenoord não conseguiu uma série incrível de vitórias, mas foi muito regular na reta final e isso ajudou a garantir o título no fim. Líder desde a décima rodada, o time de Cruyff não saiu da ponta até levantar o caneco, garantido na penúltima partida contra o Willem II, fora de casa, com o placar de 5 a 0.

Cruyff fez 11 gols em 33 jogos pela Eredivisie, se despedindo com dignidade de sua carreira. E claro, esfregando os títulos na cara dos diretores que juravam que ele estava velho demais um ano antes. A campanha dos campeões terminou com 25 vitórias, 7 empates e apenas duas derrotas, três a menos do que PSV e Ajax, os concorrentes diretos.

Para completar o ciclo no Feyenoord, Cruyff também ergueu a taça da Copa holandesa, em cima do Fortuna Sittard. Confira abaixo um vídeo com os melhores lances de Cruyff em sua temporada de despedida e constate que ele jamais deveria ter sido subestimado, mesmo com idade avançada.

*Post originalmente publicado na Trivela

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