As aparições mais marcantes de jogadores no cinema

Eles emprestaram o seu talento ao cinema com aparições espetaculares em filmes inesperados. E apostamos que você vai se interessar por estas obras da indústria cinematográfica. Confira uma lista com as melhores atuações de jogadores de futebol na telona.

Paul Breitner: como já leu aqui na Total Football, Paul Breitner era um jogador de futebol peculiar. Para quem ostentava um black power tão estiloso e fazia questão de posar para fotos fumando charutos, o mundo artístico não era algo tão distante. Pois, quando jogava pelo Real Madrid, em 1976, surgiu o convite para viver o sargento Stark no western spaghetti alemão Potato Fritz. A união perfeita, no entanto, não rendeu como o esperado. O filme foi um desastre. De tão ruim, a horrenda atuação do craque alemão passou despercebida. O pequeno urso ainda voltou a passar vergonha dez anos depois em “Kunyonga – Mord in Afrika”, um filme que, dizem, conseguiu ser ainda pior que o faroeste.

Allan Simonsen: o ex-atacante do Barcelona aparece como ele mesmo no filme The Marksman, de 1977. Na trama, o jogador é alvo de um grande esquema de uma quadrilha de atiradores profissionais. A cena da morte (perdão pelo spoiler) do craque é extremamente ridícula. Munido por uma sniper, o assassino atira algumas vezes antes de acertar Simonsen, mas nenhum dos presentes no estádio parece desconfiar do barulho. Quando ele, enfim, acerta o jogador, a cena assume de vez o seu humor involuntário. Em vez de interpretar uma cena de morte, parece que o atacante tentou imitar o mortal para a frente do André Catimba.

Stan Collymore: eis o resumo da carreira do ex-atacante do Liverpool no cinema: uma cena de sexo no carro com Sharon Stone em Instinto Selvagem 2 que durou três minutos. A julgar pela interação com Sharon, ele ficou bem feliz com a ponta.

Casagrande: Onda Nova conta a história de um grupo de amigas que decide formar o seu próprio clube de futebol, o Gaivotas Futebol Clube. Chamado pelos seus idealizadores, Ícaro Martins e José Antonio Garcia, de “uma colagem surrealista sobre a juventude paulistana”, o filme chegou a enganar muita gente com a ideia de que ajudaria a divulgar o futebol feminino no Brasil. Uma grande falácia. O discurso empolado só tentava esconder que Onda nada mais era do que outra pornochanchada da década de 80 (no longa, todas as jogadoras são lésbicas e usam drogas). Casagrande, no auge na Democracia Corintiana, acreditou na conversa e protagonizou, sem dúvida alguma, a mais poética cena do cinema nacional envolvendo centroavantes que depois se tornaram comentaristas da Globo. Fã de cinema europeu, o centroavante logo percebeu que tinha se metido numa furada e abandonou o projeto no meio das filmagens. As cenas de sexo, imprescindíveis para o filme, foram gravadas por um sósia.

Eric Cantona: sem dúvida, o melhor ator da lista. Mesmo sendo um jogador conhecido pelo seu carisma, ninguém poderia apostar que Cantona iria se virar tão bem em frente às câmeras. Sua atuação mais convincente foi como o embaixador francês Monsieur de Foix, em Elizabeth. Quem diria que um jogador de futebol poderia render num drama histórico? À Procura de Eric, que conta a história um homem completamente obcecado pelo Manchester United e o seu maior ídolo – Cantona – é um dos filmes mais divertidos sobre futebol já produzidos. Toda a versatilidade de Cantona como ator pode ser vista no trailer deste último.

Bônus

Pelé: o IMDB registra oito aparições do Rei do Futebol no cinema, além da participação na novela Os Estranhos, de 1969, onde o jogador interpretou ele mesmo em uma interação com extraterrestres (sim). Vamos nos limitar a relembrar as três melhores delas. O primeiro filme é Os Trombadinhas, de 1979, de Anselmo Duarte.

Na trama, Edson Arantes do Nascimento é Pelé (ou seria o contrário? Os dois sempre são os mesmos? Ou o ato de chamar a si próprio na terceira pessoa é apenas um recurso linguístico do jogador para dizer que o atleta não morreu, pois estará para sempre nos nossos corações, é um mito, imortal, ao contrário do Edson, que é humano, namorou a Xuxa, fala muita merda e por isso deve ser julgado como um semelhante, mesmo tendo dado vida ao Pelé, aquele que não morreu, pois…). Ok. A diferença é que, aqui, Pelé é um policial.

Na história, após voltar ao Brasil depois de se aposentar no Cosmos, o jogador se sensibiliza com o aumento no número de infrações cometidas por jovens e decide ajudar a salvá-los indo para a rua, como um verdadeiro homem da lei. Se não bastasse a trama, Os Trombadinhas ainda conta com diálogos inesquecíveis que só reforçam o humor involuntário da mais nobre tentativa de filmar um filme de tira americano em terras tupiniquins. Relembre a maravilhosa citação a Jô Soares do Rei:

O segundo é Fuga para a Vitória, de John Huston, que não é tão ruim quanto todo mundo acha. Nele, Pelé é o Capitão Luis Fernandez, um soldado dos Aliados, preso numa base nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Na história, os alemães decidem organizar uma partida entre a seleção nacional do país contra os prisioneiros, para ajudar a divulgar as vitórias do regime de Hitler. Dirigidos pelo ex-jogador John Colby (Michael Caine), Pelé se junta às personagens de Sylvester Stallone e as de outros grandes jogadores da época, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles e Kazimierz Deyna, em treinamentos que visavam preparar a equipe não exatamente para a vitória, mas, sim, para uma fuga prevista para acontecer durante o jogo. Stallone, o goleiro Robert, recusou as aulas de Gordon Banks e acabou se dando mal, quebrando duas costelas durante a filmagem.

Por último, Os Trapalhões e o Rei do Futebol, um dos filmes mais fracos do quarteto global. Pelé interpreta o goleiro Nascimento. Quem se destaca, porém, é o roupeiro Cardeal, vivido por Renato Aragão. O funcionário vira titular de última hora e faz um dos gols mais bonitos da história do cinema, quando converte, de cabeça, um escanteio cobrado por ele mesmo. Nem Pelé fez um igual.

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