O ano frustrante de Breitner no Eintracht Braunschweig

Breitner já era um ícone do futebol alemão na segunda metade dos anos 70, quando voltou do Real Madrid e atuou pelo Eintracht Braunschweig, modesta equipe alemã que havia sido uma das fundadoras da Bundesliga e se sagrou campeã nacional em 1967: a temporada não foi tão bem sucedida como esperado.

Usava um black power e aquela barba que o deixava parecido com um urso. Aparecia em fotos com uma postura de quem não estava nem aí e com classe, fumando charutos e usando óculos escuros. Breitner era mesmo o símbolo da cultura pop nos anos 70. E seu estilo de jogo doutrinou centenas de meias com mais técnica e visão de jogo.

Não é nenhuma novidade dizer que ele começou sua caminhada no Bayern, onde foi crucial na evolução monstruosa do clube no cenário alemão e internacional. De 1970 a 74, foi de peça-chave do time a grande jogador da seleção alemã na Eurocopa de 72 e na Copa do Mundo de 74, pouco antes de sua despedida e ida para o Real Madrid. E o “até logo” ao Bayern veio com um titulo europeu contra o Atlético de Madrid.

Bicampeão espanhol no Real, passou três temporadas no Santiago Bernabéu antes de retornar à sua terra. Só que não para retomar os tempos gloriosos em Munique, mas sim em Braunschweig, onde o clube da cidade havia conquistado a Bundesliga em 1967.

Breitner viria a ser o que podemos chamar de jogador mais impactante da história do Eintracht. Talvez “maior” não seja a palavra mais apropriada, visto que ele não integrou o elenco campeão. Com o seu estilão de “rei da pelada”, Paul foi a principal referência dos Leões em campo na temporada 1977-78. E ao menos a sua participação foi honrosa num elenco frágil que sofreu para se manter na elite.

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Foto: Bundesliga Classic

Afro-Paule perdido na Baixa Saxônia

O clima que rondava o Braunschweig com a chegada de Breitner era bom. O time era impulsionado pelo patrocínio da Jägermeister, o primeiro acordo nesse sentido em toda a história do futebol alemão, feito em 1973. Anos depois, quase que a agremiação virou Eintracht Jägermeister, mas a federação alemã barrou a invenção dos dirigentes. Já pensou que louco seria?

E então, com a famosa bebida estampada em sua camisa, o time da Baixa Saxônia foi crescendo graças ao investimento da Jägermeister e anos depois poderia contar com um atleta internacional como Paul em seu elenco.

Um ano depois de sua passagem, talvez só o clube pudesse agradecer pela projeção e nada mais. Breitner manteve sua regularidade ao comandar os Leões, mas a campanha que culminou na 13ª colocação não agradou ninguém da diretoria, que dirá o próprio jogador. Um ano antes, o vice-campeonato deu a sensação de que o time poderia muito mais. Apenas poderia.

O feitiço acabou e nesse meio tempo, Paul entrou em campo 30 vezes das 34 que o time jogou na Bundesliga. Marcou dez gols, levou cinco cartões amarelos e só não atuou por 90 minutos em duas ocasiões: contra o Fortuna Dusseldorf e o Eintracht Frankfurt. As 16 derrotas culminaram na terceira pior marca na competição, apenas atrás do 1860 Munique e do Saarbrucken. O Colônia foi o campeão.

Muito menos na Europa

O vice em 1977 deu a vaga na Copa UEFA ao Braunschweig, que não foi muito longe na competição europeia. Apesar de valente ao derrubar o Dynamo Kiev e o Start nas duas primeiras fases, mas foi eliminado pelo PSV com duas derrotas, nas oitavas de final. Para quem já estava acostumado a levantar troféus, passar um ano sem competitividade e numa equipe de pouca expressão não parecia uma boa forma de seguir a carreira.

Aos 27 anos, Breitner não hesitou ao receber uma proposta do Bayern e retornou à Munique para 1978-79. Ainda disputou uma final de Copa do Mundo pela Alemanha, em 1982, antes de se aposentar em 1983. E ele deve se lembrar da péssima decisão que foi aceitar a proposta do Braunschweig. Nós lembraremos da foto com o urso, Paul.

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