A ImpedCopa que eu vi: chamas, piração e festa do título

Bem os amigos sabiam (ou deveriam saber), sábado foi dia de ImpedCopa. Este campeonato fabuloso criado pelo pessoal do Impedimento (que se você não conhece, deveria conhecer) que reúne centenas de pessoas em Porto Alegre para um torneio, um churrasco, uma confraternização e muitos, mas muitos momentos inesquecíveis.

Eu mesmo nunca tinha ido, apesar da vontade de estar lá desde 2011, na edição de verão. Os caras organizam duas vezes por ano, em geral entre leitores e colaboradores do site, o que cresceu tanto que acabou trazendo gente de todo o Brasil. Nessa brincadeira vai gente de Curitiba, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, e de onde mais puder sair algum maluco por futebol sul-americano e claro, carne, cerveja e descontração.

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A caixa torácica da TF junta (de forma hétero) em uma só foto (Foto: Marloren Miranda)

Do meio-dia até as 22h, tivemos vários jogos, mitos desconstruídos e nascimento de lendas mortais como o seu vizinho, o padeiro da esquina ou o pedreiro da obra no seu escritório. Pessoas normais como nós, que vestem os uniformes, levam os trapos e que conseguem seus minutinhos de fama dentro de campo. Como vocês podem notar, temos baixinhos, grandões, magrinhos e gordões. É uma perfeita democracia onde todo mundo tem sua chance.

Lá do mezanino e das grades, a torcida ensandecida torce por um time indefinido, torce pelas jogadas de efeito, pela entrada de cachorros no gramado e por trapalhadas da arbitragem. “Vai te fuder, Rosa!”, gritavam ao árbitro da competição, que aos risos andava diante dos alambrados. Da parte da Total Football, restava sim a parcialidade. Com Portes e José de fora da disputa, o time em questão para torcer era o Patriotas de Tunja, defendido pelo camisa 6 Rodrigo Salvador. Ele mesmo, El. Na defesa, ele foi o Lothar Matthäus tupiniquim, um Emerson branco, um Gaetano Scirea dos nossos tempos.

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Portes, enlouquecido, sobe no pilar e se agarra à grade (Foto: José)

A corneta não pode morrer

Não é porque fomos parciais na escolha do time, que seríamos polidos e bonitinhos ao apoiar das laterais.

Quando tudo começou, eu estava ali tentando entender o que podia fazer, quem poderia ofender por alguns segundos e o nível de loucura que nortearia minha participação como torcedor.

Visto que não havia nenhum limite, me soltei e adaptei alguns belos menes da internet como “LEOPOLDO, O GURI É DO TEU TAMANHO, PORRA!”, “EL, CORTA O CABELO, EL!” “VAI JOGAR POR TELEFONE, RUDI?” “SAI DO GOL, DUDU, PORRA!”, entre outras frases que minha mãe certamente não gostaria de ouvir. Aliás, nenhuma mãe gostaria. Os jogos foram passando, os Patriotas avançando e a galhofa ficou ainda mais concreta.

Quanto mais decisivo o confronto, mais pessoas entravam na quadra e invadiam, fazendo um carnaval etílico, pois já estavam mais loucas que o José na Impedcopa.

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Luzia, Drika, Laura e Catarine (Foto: Francisco Luz)

As senhoras

Elas não poderiam faltar. Da primeira dama da TF, Luzia até as ensandecidas Marloren, Laura, passando por Tainá, mulher do Feldens e outras mamães que levaram seus nenês para a loucura que é a Impedcopa. Não poderia ser diferente, porque os homens viram pavões diante da presença feminina. Outros colegas levaram seus ~romances~ ao evento, gerando uma grande roda de crochê discussão e cornetas violentas direcionadas aos jogadores. Sem elas o espetáculo teria sido apenas mais uma festa da virilidade. Virilidade que faltou aos árbitros quando expulsaram o arqueiro Dudu Lorenz, que ao dar um carrinho inocente em Rudi, foi impedido de jogar o restante do torneio. Vai te fuder, Rosa.

Ninguém é ótimo, todos são iguais

A Impedcopa não teve um craque. E nem deveria. Num evento tão democrático, seria ridículo ter um grande jogador. Todos fizeram o seu papel, não passaram vergonha. Uns caíram de boca no chão, outros tiveram cãibra, terceiros se lesionaram em divididas. Não houve deslealdade, porque o clima é sul-americano, mas não é bagunçado.

Gaúcho sabe mesmo fazer churrasco

Responsável por organizar a formação da churrasqueira, o Rudi pai mandou muito bem na condução, no tempero e na distribuição dos assados consumidos pelo pessoal. Se eu ainda tinha dúvidas de que o churrasco dos gaúchos era realmente tudo isso (não confundir com o Teorema de Léo-Barcelona), a dúvida caiu por terra logo no primeiro pedaço.

Gelo seco ao invés de sinalizadores

A administração da quadra não permitiu a entrada de sinalizadores. E convenhamos, após o desastre de Santa Maria e a morte do menino Kevin, talvez a galera deva mesmo repensar o uso de tal acessório. Entretanto, a fumaça não poderia faltar. Para tal, ninguém nem cogitou chamar o pessoal do Planet Hemp. Apenas alugaram uma máquina de gelo seco, e durante alguns jogos, aleatoriamente a fumaça subia no campo. ImpedCopa >>>> Alfredo Jaconi.

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Foto: Ana Luíza Peres

A consagração

Fomos pé quente e o Patriotas de Tunja levou o caneco. El fez gol nas fases classificatórias e o time levou nas penalidades contra o Deportivo Paraguayo do Leopoldo, que no tempo normal não colaborou no 1-1, mas na Fox Sports deram que ele marcou o gol de empate. Ninguém sabe quem foram os autores dos gols.

Na comemoração, eu fiz questão de ficar com o time campeão, pois fui responsável por parte da torcida e por um tombo inesquecível antes da semifinal, quando persegui o Salvador até derrubá-lo sem motivo aparente no chão. Posto essa sequência de fotos registrada pelo Paulo Afonso ao fim deste texto. Em suma, o sentimento é de ter participado de um negócio fenomenal, uma festa que não tem motivo para existir, só acontece e marca quem está lá. Poderia usar mil expressões rebuscadas e apaixonadas como o pessoal do Impedimento faz, transmitir mil emoções, mas nunca iria conseguir sintetizar o que senti mesmo estando do lado de fora.

Na próxima, certamente estarei do lado de dentro do campo, e não menos pirado, entregue à insanidade de calção, meião e chuteiras. E claro, para tentar ganhar o título. Se não der, vou ter ficado completamente bêbado de qualquer forma, então considero isso como uma vitória. Estou crente de que muitos estarão no mesmo estado ou pior.

Meus netinhos, se vocês estiverem lendo isso com seus 15, 16 anos, façam a si mesmos um favor: compareçam à edição 44 da Impedcopa, ou outro número, pois seu avô já estará meio perdido nas contas e nas lembranças. Quando fizerem isso, bebam, comam e pirem, vibrando ou jogando. É a única coisa que posso dizer agora. O resto é inexplicável. Deixo-lhes um abraço grande.

Abaixo, uma pequena galeria das melhores fotos do Paulo Afonso no melhor sábado de 2013, e provavelmente pior do que os próximos de ImpedCopa. Obrigado ao pessoal do Impedimento por proporcionar esse dia. E aos amigos El, José, Paulo Afonso, Laura, Marloren, Feldens, Tainá, Boéssio, Dudu, Rafael Specht, Leopoldo, Lupatini, Rudi, Giuliano, Raquel, LF, Christian, Chico Luz e Drika. Sem esquecer, claro, da primeira dama Luzia.

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Cidadão do Manta, que se estabaca no gramado (Foto: Paulo Afonso)

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Rudi, antes da morte (Foto: Paulo Afonso)

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Christian, de verde (Foto: Paulo Afonso)

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SAI DO GOL, DUDU! (Foto: Paulo Afonso)

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A maior faixa em campo, o clima que tomou a galera (Foto: Ana Luíza Peres)

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Feldens com a pelota (Foto: Paulo Afonso)

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(Foto: Ana Luíza Peres)

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(Foto: Paulo Afonso)

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Rafael se mata de gritar (Foto: Paulo Afonso)

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O tombo em sequência (Fotos: Paulo Afonso)

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