Cinco filhos tão/quase tão craques quanto os seus pais

Eles herdaram os genes dos pais e brilharam tanto quanto ou mais que os genitores no futebol. Eis alguns bons exemplos de a máxima do “filho de peixe” procede sim no esporte

Djalminha

“Futebol é um dom. Isso ninguém ensina”, dizia o ex-zagueiro Djalma Dias em 1983 ao então repórter de Placar Tim Lopes, que viria, infelizmente, a se tornar famoso ao ser assassinado pelos traficantes do Complexo do Alemão em 2002. Na foto da matéria “O Flamengo ficou com essa herança”, “Elegance”, como fora apelidado pelos torcedores do América-RJ, aparece abraçado com o filho Djalminha, todo orgulhoso. O garoto de 14 anos já era apontado como uma das maiores promessas da base do Flamengo. Mal poderia imaginar o leitor da revista que não era só o nome que o moleque herdaria, mas também a classe no trato com a bola e a predestinação a nunca disputar uma Copa do Mundo.

Assim como o Seu Djalma, Djalminha sempre foi apontado como craque e foi, talvez, o principal responsável pelo único título nacional do Deportivo La Coruña na temporada de 1999-2000. Mas o seu comportamento explosivo (bem, você se lembra da cabeçada no treinador Javier Irureta em um treino às vésperas da convocação para a Copa do Mundo de 2002) e a pouca disciplina tática (o meia não se adaptou ao 4-3-1-2 de Zagallo em 1998; o Velho Lobo acreditava que o meia não era marcador o suficiente para ser um dos “três” e lento demais para ser o homem de ligação) o deixaram sempre distante das convocações da Seleção Brasileira – Vanderlei Luxemburgo, treinador no melhor período da sua carreira, não lembrou o nome dele uma vez sequer.

Trajetória muito semelhante a de Seu Djalma, que mesmo aplicado e pacato, também foi preterido – sem motivo aparente – em cima da hora por Aymoré Moreira em 1966 e por Zagallo em 1970, o mesmo que não quis o seu filho 28 anos depois.

Ademir da Guia

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Foto: Futebol de todos os tempos

Naquele tempo, futebol era foot-ball. Foi quando a revista Esporte Ilustrado, no dia 30 de abril de 1942, anunciou: “Ademir da Guia – É assim que se chama o herdeiro do foot-ball nacional”. O recém-nascido era notícia por causa do seu pai, o respeitado Domingos da Guia, considerado o melhor zagueiro brasileiro até hoje por quem conheceu o esporte com a velha grafia. A publicação anunciava com atraso de 23 dias que nascia o maior jogador da história do Palmeiras.

Há muita discussão sobre quem foi melhor: os admiradores d’ “O Divino” apontam todos os seus expressivos títulos com a camisa alviverde (cinco títulos nacionais, cinco paulistas e dois Rio-São Paulo) e toda a sua óbvia representação para a torcida que canta e vibra; já os mais antigos fazem questão de lembrar dos títulos de Domingos pelo Bangu (um só, a Taça Euvaldo Lodi, que só foi criada para o zagueiro pelo clube que o considera o maior ídolo da sua história), Vasco, Flamengo, Nacional-URU e, principalmente, da titularidade absoluta na Seleção Brasileira, onde Ademir nunca teve espaço.

Em uma época com tantos craques vestindo a camisa 10 dos clubes brasileiros (em 1970, como é muito comentado, Rivellino precisou ser deslocado para a ponta-esquerda para caber na seleção de Zagallo, um destino inimaginável para o lento camisa 10 do Verdão), o ídolo palmeirense teve o mesmo azar do cruzeirense Dirceu Lopes e foi lembrado poucas vezes. Sua única partida em Copa do Mundo ocorreu na disputa de 3º lugar contra a Polônia, em 1974. O Brasil perdeu por 1 a 0.

Paolo Maldini

Paolo Maldini of AC Milan

Foto: Forza Italian Football

Ao contrário de Paolo Maldini, o seu pai, Cesare, não fez parte apenas da história do Milan. O chefe da família também é lembrado com carinho pelo modesto Triestina, pelo Torino, onde encerrou a carreira, e até mesmo pelos torcedores mais antigos do Santos.

Foi ele quem cometeu o pênalti em Almir, convertido por Dalmo, na terceira partida da final da Copa Intercontinental de 1963, realizada no Maracanã. Aquele fora o gol decisivo da vitória por 2 a 1 que culminou no suado segundo título mundial do time praiano.

Mas, fora isso, Cesare e Paolo, tem muito mais semelhanças do que diferenças. Além da cor dos olhos, ambos começaram como laterais (Cesare começou com lateral-direito; Paolo, esquerdo), exibiam técnica incomum para defensores, estão na história do Milan, porém, jamais conseguiram um título significativo na Seleção Italiana. Há quem diga que o filho foi ligeiramente melhor. Mas os que viram o pai levar o filho ainda criança para o Centro de Treinamento do Milan garantem que todo o talento do primogênito veio do mais velho.

Juan Sebastián Verón

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Foto: Taringa

Dia 9 de março de 1975. O meia Juan Ramón Verón entrava em campo no clássico contra o Gimnasia sem saber se estava perdendo o parto do filho ou não. O treinador no Estudiantes na época, Carlos Bilardo, fez questão de esconder o nascimento da criança do seu capitão até o final da partida, só para ter certeza que o melhor jogador da equipe não iria se desconcentrar. O resultado: a partida terminou em 3 a 3, com um gol de Ramón, e um outro craque na família realmente nasceu durante o cotejo: Juan Sebastián Verón. Com um destino predestinado ao clube, Sebastian Verón conquistou uma Libertadores pelos Estudiantes em seu retorno ao futebol argentino, em 2006, após anos de Europa.

A sua melhor fase no Velho Mundo foi na Lazio, onde foi o principal responsável pela conquista da Serie A em 1999-00. Não foi bem no Chelsea e Manchester United. Foi mais regular na Seleção Argentina, tendo sido titular em três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2010). La Brujita – como era conhecido o recém-aposentado em referência ao apelido do papai, La Bruja – não foi melhor, no entanto, que a bruxa velha da família; Juan Ramón Verón é considerado o melhor jogador da história do Estudiantes, por entre outras coisas, ter sido tricampeão da Libertadores (1968, 1969 e 1970), bi do Mundial (1968 e 1969) e por ter deixado a esposa em trabalho de parto por causa do Clássico de La Plata.

Diego Forlán

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Dentre todos os citados, apenas o ex-lateral-direito Pablo Forlán não foi craque. Não que ele tenha sido um perna de pau, como exageram alguns. O pai do atacante do Internacional tinha alguns atributos, como o chute de fora da área e a facilidade na subida ao ataque. Gerson (este, sim um fora de série), seu companheiro de São Paulo nos anos 70, o definiu como um jogador de raça, que exagerava na força muitas vezes, mas que sabia o que fazer quando ganhava a bola.

No entanto, mesmo não tendo superado o pai em títulos coletivos (Pablo tem seis Campeonatos Uruguaios, uma Libertadores e um Mundial no currículo), o filho, individualmente, foi muito mais longe. Com duas Chuteiras de Ouro (2004-2005, 2008-2009), passagens bem sucedidas por Villareal e Atlético de Madrid e o posto de maior ídolo uruguaio depois de Enzo Francescoli, Diego tornou-se o grande representante do sobrenome Forlán na história do futebol.

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