5 grandes flops tricolores: o peso da camisa 10 no São Paulo

Eles chegaram com valor de craque, mas mostraram pouco tempo depois que o São Paulo não é lugar para flops com a camisa 10; de Ricardinho a Sierra, veja cinco meias que fracassaram na tentativa de serem herdeiros de Raí no Tricolor paulista.

Ricardinho: gente boa pra caramba

Tinha tudo para dar certo. O meia vivia a melhor fase da carreira em 2002, quando substituiu às pressas o lesionado Emerson na Família Scolari e sagrou-se pentacampeão do mundo; poucos meses antes, ele havia sido campeão paulista e da Copa do Brasil pelo Corinthians. Os ventos eram tão bons que o treinador alvinegro na época, Carlos Alberto Parreira, dizia que Ricardinho formava com Kléber e Gil “o melhor lado esquerdo do mundo”. Diante de tantos bons predicados, o São Paulo cresceu o olho para cima do jogador e resolveu bancar os R$ 4 milhões na compra do canhoto, um recorde em transferências entre times brasileiros na ocasião.

Com pose de inteligente, Ricardinho parecia ser perfeito para o posto de “novo Raí”, o pensador que faltava na afoita equipe de Fábio Simplício, Kaká, Reinaldo e Luís Fabiano. Mas não foi isso que aconteceu. A união entre o salário alto, um elenco complicado (Gustavo Nery e Rogério Ceni) e a fama de dedo-duro resultou numa passagem que se resumiu a atuações discretas e alguns brilharecos, como um golaço de falta na Arena da Baixada. Ricardinho transferiu-se para o Middlesbrough, da Inglaterra, em 2004, sem deixar saudades entre os torcedores tricolores, que nunca deixaram de vê-lo como corintiano.

Souza: na sombra de si mesmo

Esquecido com o tempo, José Ivanaldo de Souza já foi considerado um dos meio-campistas mais promissores do futebol brasileiro em meados da década de 90. Aos 20 anos, em 1995, o menino tímido chegou do América-RN ao Corinthians e já foi campeão da Copa do Brasil, o que o fez ser convocado por Zagallo para a Copa América do mesmo ano. Aos poucos, porém, Souza foi caindo de rendimento, deixou de ser lembrado pelo Velho Lobo e passou a frequentar o banco de reservas da sua equipe, ganhando o apelido de sonolento. A saída do Timão para o rival São Paulo em 1998 foi um pedido do treinador Nelsinho Baptista, com quem havia ganhado o Paulistão um ano antes. Aos 23 anos, Souza ainda era considerado promissor por sua incomum visão de jogo, porém, a sua irregularidade não deixava ninguém se entusiasmar demais.

A união entre técnico e meia rendeu outro Paulistão logo de cara, mas a volta do ídolo Raí fez com o jogador potiguar perdesse espaço entre os 11 titulares mais uma vez na carreira. Com a saída de Nelsinho, que não resistiu no cargo depois que apontou quem eram as laranjas podres do elenco publicamente, o meia se escondeu ainda mais no banco de reservas. Despediu-se sem alarde, como era da sua personalidade, para o Atlético-PR em 2002 (logo após a chegada de Ricardinho).

Harrison: o homem que deixou Kaká no banco

Ele será sempre lembrado como o jogador que deixou Kaká (quando este ainda assinava como Cacá) no banco na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2000. Ao lado do atacante arisco Renatinho, foi um dos destaques do São Paulo na campanha impecável naquele torneio: foram sete vitórias em sete jogos. Além do jogador do Real Madrid, o zagueiro Jean e o meia-campista Julio Baptista estavam no elenco. Harison, tal qual Renatinho, rodou por muitos clubes, mas não se firmou em lugar nenhum. Hoje, defende o itinerante Grêmio Barueri, na segunda divisão paulista.

Carlos Alberto: Luta contra a balança

Contratado a pedido do então supervisor de futebol Marco Aurélio Cunha, o meia chegou ao São Paulo em 2008 como apenas mais um do tradicional pacotão que o São Paulo se acostumou a fazer no início do ano desde o início da era Cuca. A ideia era contratar Diego Souza, do Grêmio, mas o Palmeiras usou a recente parceria com a Traffic e foi mais esperto. Cazalbé, então, chegou para ocupar o lugar de meia parrudo, de força física, bunda-de-urso, que Muricy Ramalho tanto gosta (Lenílson, lembra?). O problema é que o jogador, que estava emprestado apenas por seis meses pelo Werder Bremen, chegou acima do peso e assim foi dispensado, logo após se envolver em uma confusão com o doido varrido do Fábio Santos. Foi tão rápido que, para lembrar da passagem do atual camisa 10 do Vasco pelo Morumbi e pelo centro de treinamento na Barra Funda, foi preciso algum esforço.

José Luis Sierra: barrado por Telê por não ajudar na marcação

A recepção foi espetacular: com muitos fogos de artifício, o meia chileno desembarcou de helicóptero com toda a família no gramado do Morumbi em abril de 1995. Telê Santana havia se impressionado com a atuação do canhoto nos confrontos da semifinal da Libertadores do ano anterior, quando o São Paulo penou para passar pelo Unión Española, e pediu a contratação do jogador para substituir ninguém menos que o ídolo Raí. A passagem pelo Tricolor foi frustrante: em 43 jogos, Sierra fez apenas três gols. Segundo Telê, o chileno mostrava qualidade, mas não colaborava na marcação e, por isso, não poderia ser titular da equipe. Sierra voltou no ano seguinte para o seu país como atleta do Colo-Colo, porém só reencontrou o status de ídolo ao voltar para o Unión Española, em 2002, onde jogou até os 41 anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *