Bilic, o zagueiro do rock

Despojado, imponente, técnico e chefe da cozinha croata: este é Slaven Bilic, o maior zagueiro que já jogou com a camisa axadrezada da Croácia. Unindo a sua boa estatura com um excelente posicionamento e comando da grande área, Bilic foi o paredão por trás da boa campanha no Mundial de 1998, na França, quando os eslavos foram até a semifinal, perdendo para os donos da casa.Bilic foi o xerifão da Croácia que explodiu na Copa de 1998 e quase aprontou a maior zebra da história dos Mundiais; beque era um legítimo roqueiro fora das quatro linhas.

Tudo começou para o menino esguio em Split, sua cidade natal. Desde muito novo já fazia parte das equipes mirins do Hajduk, um dos clubes mais populares da antiga Iugoslávia. Em 1988, já um dos últimos anos antes da independência croata, o zagueiro já dificultava a vida dos atacantes, sendo aquele cara chato que não dava espaços nem nos rachões internos.

Foram cinco temporadas no Split, quando em 1993, Slaven virou líbero e ganhou projeção internacional no Karlsruher, quando a equipe alemã voou até as semifinais da Copa UEFA de 1993-94. O KSC só foi perder para o Casino Salzburg (atual Red Bull), que caiu ante a Internazionale.

Comandando a defesa germânica por dois anos antes de desembarcar em Londres para jogar no West Ham, em 1995-96. Líder natural na cozinha dos Hammers, o croata fez o paredão e facilitou sempre o trabalho de Ludek Miklosko, tcheco que defendia a baliza da equipe londrina. De excelente participação na Eurocopa de 1996, foi convidado por dirigentes do Everton para a seguinte época.

Rejeitando inicialmente o negócio, Bilic afirmou que tinha um compromisso com o West Ham: queria evitar o rebaixamento que parecia iminente. O 14º lugar foi a garantia de promessa cumprida. Só em 1997 ele saiu do Upton Park rumo ao Goodison Park.

Foram três anos de Liverpool e uma Copa do Mundo irretocável na França, onde os axadrezados devolveram a eliminação imposta pelos alemães na Euro de 1996. O terceiro lugar no Mundial ainda é para muitos injusto em relação ao apresentado pelo grupo da Croácia, em seu auge absoluto. Bilic foi importante na derrota para a França, na semifinal.

Agredido por Blanc com um tapa na cara dentro da área, o zagueiro não ajudou a bloquear o bombardeio francês, que aproveitou três rebotes. No fim, Thuram definiu a passagem dos donos da casa para a final.

Lesões, volta para casa e vida como treinador

Bilic Everton

Lesionado durante grande parte de sua carreira no Everton, apenas disputou bom número de partidas em 1997-98, irritou a torcida dos Toffees com sua forma precária e em três anos, disputou cerca de 28 jogos. Mais perto de sua família, assinou com o Hajduk Split em 1999 e lá também esteve parado, relutante em se aposentar. O declínio físico o levou a pendurar as chuteiras em 2001, iniciando uma trajetória como treinador no próprio Hajduk.

Quatro anos depois, assumiu a seleção sub-21 da Croácia, em 2005. Contudo, em 2007 voltou a ocupar os noticiários como comandante da equipe principal. Formado em Direito, Bilic também apareceu fora dos gramados como guitarrista de uma banda de rock chamada Rawbau, que compôs até uma música para motivar sua pátria.

Agora do banco, viu os eslavos alcançarem as quartas de final da Eurocopa em 2008, perdendo para a Turquia nos penais. Quatro anos depois, viu a Croácia naufragar ainda na fase de grupos, fraca diante das gigantes Espanha e Itália. Hoje é técnico do Lokomotiv Moscou e deixou importante legado no selecionado axadrezado.

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