Fomos Campeões: Entre alemães

Eintracht Frankfurt vence seu primeiro título europeu em 1980, mas com gostinho de copa local: quatro alemães formaram a fase semifinal daquela edição da Copa UEFA.

Poucos sabem, mas assim como o Leverkusen, o Eintracht Frankfurt também possui um título internacional em sua história. Além da Copa Intertoto em 1967 (que não conta lá como título, já que apenas gera uma vaga para outras competições europeias), os rubro-negros levantaram a Copa UEFA em 1979-80, tendo grandes desafios nas fases de semifinal e final.

O inimigo era íntimo: quatro alemães avançaram até as semifinais e antes da hora o torneio virou uma verdadeira Bundesliga. A surpresa ficou no entanto com o azarão do grupo. Entre Bayern, Mönchengladbach, Stuttgart e Frankfurt, foi o último deles que levou a melhor.

A equipe escalada por Friedel Rausch não era bem o que podemos chamar de esquadrão, de favorito, ou sequer com grandes chances de título. Acontece que nem sempre o mais forte entra com a determinação que os mais fracos já têm de sobra. Os águias não dispunham de uma defesa confiável, mas conseguiram se sobressair com um ataque perigoso formado por Bernd Hölzenbein e o sul-coreano Cha Bum-Kum. Oito anos depois, o asiático repetiria o feito da Copa UEFA pelo Leverkusen.

Desequilibrado, o escrete de Rausch conseguiu a proeza de marcar 23 vezes e ser vazado em outras 18. A marca do time era mesmo a dedicação no ataque, sempre perigoso. Precisaram suar muito para passar do Aberdeen na primeira fase. Na Escócia, um empate de 1-1 deu esperanças aos locais, que acreditavam em uma certa facilidade no duelo fora dos seus domínios. Foi num suado 1-0 que os alemães avançaram para encontrar o Dinamo Bucareste. Mais encrenca viria por aí.

Encarando o adversário na Romênia, o Eintracht saiu arranhado para decidir sua sobrevivência em território germânico. 2-0 para o Dinamo, que já praticava o louvável estilo romeno: ofensivo, forte na marcação e com um meio campo perigosíssimo pelas pontas. Na base da superação, o pessoal de Frankfurt igualou o agregado e precisou do tempo extra para eliminar o rival. 3-0 e a vaga nas oitavas estava assegurada, com muito suor.

O Feyenoord de Wim Jansen estava embalado. Passando pelo Everton e amassando o Malmö no agregado por 5-1, os holandeses prometiam bater de frente com o inconsistente Frankfurt, que era capaz de sufocar defesas rivais e ao mesmo tempo não conseguir cuidar da sua. Sabendo dessa deficiência dos alemães, a turma de Roterdã explorou os contragolpes e as descidas rápidas. Azar o deles.

Com um surpreendente 4-1 em casa, o Eintracht colocou um dos pés na próxima fase, mas ainda teria de se cuidar para não sofrer um escorregão épico e ficar fora. Uma atuação sublime e equilibrada marcou a chinelada nos comandados de Vaclav Jezek. Agora quem precisava tentar virar a mesa era o Feyenoord, e no De Kuip, apenas 1-0 para o mandante não serviu para tal. Os rubro-negros estavam nas quartas de final.

Cuidado com o Zbrojovka!

Ninguém esperava que o campeão tcheco fosse complicar a vida de alguém no torneio. Entretanto, o Zbrojovka Brno havia chegado com certa facilidade até a fase de quartas de final. Passando por Esbjerg, Keflavík e Standard Liège, os eslavos tiveram no Eintracht o seu primeiro grande desafio. E não venderam barato sua eliminação naquela Copa UEFA.

Dominando sem dificuldade o embate no Waldstadion (atual Commerzbank Arena), os águias repetiram a grande performance contra o Feyenoord: 4-1 com tentos de Nachtweih, Lorant, Nichel e Karger, para delírio dos 30 mil presentes. Em clima de euforia, o grupo de Friedel Rausch já se preparava para o estrelato, mesmo sabendo que a partida em Brno poderia reservar alguma surpresa. Bem que os azarões se esforçaram, mas ficaram no 3-2 em casa, não empatando o agregado por pouco. Bastante pressionada, a retaguarda rubro-negra quase entregou o ouro nos minutos finais, se salvando de uma reviravolta espetacular por parte dos tchecos. A partir da fase de semifinal, a história daquele campeonato seria completamente diferente… e doméstica.

Quando a Bundesliga dominou a Europa

Nada mais nada menos que quatro alemães formaram o chaveamento de semifinal na Copa UEFA de 1979-80. Tudo seria resolvido em casa, pelo Stuttgart, Bayern, M´Gladbach e claro, o Frankfurt. Nossos protagonistas pegaram logo o mais difícil: os bávaros de Munique. Base da seleção alemã, o Bayern representava a excelência. Sepp Maier, Augenthaler, Schwarzenbeck, Breitner, Rummenigge e Hoeness eram assustadores perto do elenco modesto que Rausch tinha à sua disposição.

Assumindo seu claro favoritismo, o Bayern se impôs em campo e fez 2-0 no Olímpico de Munique. Hoeness e Breitner marcaram e passaram a impressão de que não teríamos lugar para mais zebras. Era só impressão. O austríaco Pezzey brilhou no Waldstadion e balançou as redes duas vezes para igualar o agregado. No tempo extra, uma chuva de gols, lembrando a semifinal da Copa de 1970 entre Alemanha x Itália.

Karger ampliou aos 13 da primeira etapa da prorrogação, Frankfurt classificava. Dremmler diminuiu dois minutos depois, Bayern avançava. O mesmo Karger tratou de puxar a sardinha para o seu lado e 4-1 no placar. Lorant, de pênalti aos 13 finais, sacramentou o inesperado: o despacho do Bayern e a consagração dos desacreditados do Eintracht.

Enquanto isso, na outra partida da semifinal, o M´gladbach se apertava, mas vencia o Stuttgart no agregado por 4-3, vencendo a segunda perna por 2-0 no Bökelbergstadion, ganhando o direito de enfrentar os águias na grande decisão. Vencedores da Copa UEFA em 1975 e 79, os Potros chegavam com confiança para defender seu título.

Uma feroz batalha se viu no Bökelberg. 25 mil fanáticos presenciaram um 3-2 elétrico e grande atuação do menino Lothar Matthäus. Kulik marcou aos 37 e inaugurou os trabalhos para o Borussia e viu Karger manter a regularidade, empatando sete minutos depois. Hölzenbein chegou a virar para os visitantes, mas Matthäus e Kulik colocaram o time da casa em vantagem, 3-2 e fim de jogo em Mönchengladbach.

Tudo foi decidido nos detalhes, na minúcia e nos pés de Schaub. A forte marcação e a prudência dos dois lados impediu que o capítulo derradeiro daquela competição fosse escrito de uma forma mais empolgante. Fato é que o zero persistiu no marcador até os 36 da etapa complementar. Numa tabela ousada, Schaub carregou e tabelou com Hölzenbein. Entrou na grande área e recebeu, com a marcação toda na sua cola. Valente, encontrou espaço para fuzilar o canto de Kneib. 1-0, Eintracht campeão. Era a principal glória de uma equipe que conquistou um campeonato alemão na era pré-Bundesliga em 1959, além de quatro Copas da Alemanha.

Frankfurt: Pahl, Körbel, Ehrmantraut, Pezzey, Lorant, Nachtweih (Schaub), Neuberger, Nickel, Hölzenbein, Cha Bum-Kum e Borchers. Téc: Friedel Rausch

M´gladbach: Kneib, Ringels, Matthäus (Thychosen), Hannes, Nielsen (Del´Haye), Schäfer, Bödeker, Fleer, Kulik, Nichel e Lienen. Téc: Jupp Heynckes

Campanha: 12 jogos, sete vitórias, dois empates e três derrotas. 23 gols marcados e 18 sofridos.

Jogos
Primeira fase
Aberdeen 1-1 Frankfurt
Frankfurt 1-0 Aberdeen

Segunda fase
Dinamo Bucareste 2-0 Frankfurt
Frankfurt 3-0 Dinamo Bucareste

Oitavas de final
Frankfurt 4-1 Feyenoord
Feyenoord 1-0 Frankfurt

Quartas de final
Frankfurt 4-1 Zbrojovka
Zbrojovka 3-2 Frankfurt

Semifinal
Bayern 2-0 Frankfurt
Eintracht 5-1 Bayern

Final
7 de maio de 1980 – Bökelbergstadion, Mönchengladbach
M´gladbach 3-2 Frankfurt
21 de maio de 1980 – Waldstadion, Frankfurt
Frankfurt 1-0 M´gladbach

Frankfurt Uefa cup

Foto: UEFA

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