Alex, o Messias

Por Rodrigo “El” Salvador

Alex volta ao Coritiba e coloca todos os torcedores no Couto Pereira em absoluto estado de êxtase, e por que não nostalgia.

Quando Alex foi anunciado como jogador do Coritiba, em 18/10/2012, eu escrevi algumas linhas sobre o significado daquilo. Falava sobre a volta “profetizada” nas arquibancadas, naquele que seria o auge de toda uma geração que começou a torcer pro Coritiba pouco antes de 1995. Eu sou dessa geração. E o cumprimento da profecia no jogo de sábado, apesar de (pretensamente) amistoso, me deixou tão ansioso quanto nas recentes finais de Copa do Brasil.

O mundo em 1995 era outro. Todo mundo sabe o que aconteceu desde que Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, que os Mamonas Assassinas foram lançados ao estrelato, que o Guns’n’Roses acabou pela primeira vez, que o Mike Tyson saiu da prisão, que Forrest Gump ganhou o Oscar de melhor filme, que a Malhação começou e que Os Trapalhões acabou. O que quero contar a vocês aqui é um pouco mais restrito, coisas que não estão na wikipédia e não estarão em nenhum outro link da internet.

Em 1995, eu era um aluno da quarta série de uma escola de bairro; hoje, formado em Matemática Industrial e funcionário público. Meu irmão, hoje engenheiro civil, estava saindo do Prezinho. Meu pai era frequentador esporádico de arquibancada, coisa que não faz há uns nove anos. Minha mãe esteve no Couto uma vez, e hoje contabiliza quatro idas. Minha namorada tinha três anos, e sequer pensaria em ir ver o Coxa ao vivo tantas vezes quantas foi. Lorenza, hoje com cinco anos, não era nem um sonho. Alex era Alex, e hoje é Alex.

A presença de cada um destes teve seu simbolismo na tarde de sábado. Especialmente meu pai, que me levou pra ver o Alex em 95, e agora eu pude retribuir a gentileza. E a Lorenza, que foi ao seu primeiro jogo na vida, levando nas veias o sangue do Fedato – sim, AQUELE, bisavô dela. Eu tenho um fraco por crianças em estádio, porque toda vez que vejo um pirralhinho com o pai, lembro dos meus dias de “aluno”, aprendendo os caminhos mais seguros, as músicas da torcida.

Na hora dos fogos, eu pude ver nos olhos da Lorenza o mesmo brilho dos meus quando vi as torres de fumaça na frente da Mauá no meu primeiro jogo em 95. Foi nos meus braços que ela comemorou seu primeiro gol no Couto, enquanto eu corria pelo terceiro anel, que ela tinha acabado de pedir pra conhecer. E mais do que isso, proporcionei este momento à bisneta do maior jogador da história do meu time. E o fiz ao lado do homem que fez o mesmo comigo.

E tudo isso com Alex no campo. Alex que arrasta quatro torcidas aos pés. Que colocou Turquia e Brasil em sintonia. Que tem um caráter que poucos homens no futebol e no mundo têm. Que inspira famílias a voltarem ao Couto. Que fez uma sessão de autógrafos prevista pra uma hora durar quatro. Que motivou a Lorenza a chegar em casa, olhar pro avô e dizer: “Vô Dinho, sabe a história do Alex? Então, ELE VOLTOU!”.

A volta do Alex, em suma, simboliza a fé no futebol. Lamento porque quem acredita em um futebol que começa e termina com apitos e se restringe a linhas de cal. O futebol é um sentimento, tal qual amor, compaixão e raiva. É abstrato, não me venham tentar provar o contrário. O futebol existe e eu acredito nele. Sábado, com Alex no campo e minha família na arquibancada, eu pude mais uma vez dimensionar o futebol: ele começou, mas não vai acabar.
Nota do editor: https://twitter.com/Alex10combr/status/296281785455763456 (apenas chorando, por favor)

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