A hora chegou

Foto: Portal das notícias

Doze anos. 12. Douze. D-O-Z-E. DOZE. Foram doze anos sem uma conquista além das fronteiras estaduais. Na noite de 11 de julho de 2012, doze, douze, 12, D-O-Z-E, DOZE, o Palmeiras conquistou em cima do Coritiba a sua segunda Copa do Brasil. Com muito mais sofrimento do que diante do Vasco, no Troféu Rio-São Paulo lá em março de 2000, o alviverde imponente finalmente honrou a alcunha. Foram tempos dolorosos em que perdemos até (temporariamente, que se diga) o nosso lar no Parque Antártica. 

Se o destino ensinou a nós palmeirenses a termos sempre de esperar o apito final antes de comemorar qualquer glória que fosse, esse mesmo destino também fez a espera ser longa dessa forma para que cada segundo de festa fosse amplificado. Como se ao invés de uma, tivéssemos levantado dez taças como essa que Marcos Assunção exibe na foto acima. 
Era capricho demais comemorar antes das 21h50 um título que poderia muito bem escapar e ficar em Curitiba nas mãos de um competente Coxa. Sabíamos bem das nossas limitações e adversidades para a partida final no Couto Pereira. Sem Barcos, com Henrique supostamente febril, escalando Betinho na frente, prendendo a respiração com a lesão de Thiago Heleno e Luan no decorrer dos 90 minutos, tudo parecia se encaixar numa moldura de drama, nervosismo e superação. 
Fosse o Palmeiras a equipe realmente superior em campo, não teria armado o forte esquema defensivo e se visse refém dele para manter o resultado desejado. Fosse o Palmeiras uma equipe menos guerreira, certamente o 1-0 nos pés de Ayrton teria virado 2-0 e sabe-se lá quanto mais. Fomos valentes do início ao fim e a proposta de segurar o ímpeto do time da casa foi cumprida com louvor. Apaixonada, mesmo perdendo, a torcida palmeirense não demorou cinco segundos para começar a cantar o hino de peito aberto, além da canção que corre as arquibancadas seja onde for, em São Paulo ou no Paraná. 
Olê, olê, eu canto que sou Palmeiras até morrer/ Olê, olê, eu canto que sou Palmeiras até morrer, alegria/ Dá-lhe alegria, alegria no coração/ Daria a vida inteira pra ser campeão/ A Taça Libertadores é obsessão, tem de jogar com a alma e o coração, olê olê. 
Não seria um revés temporário que iria calar o orgulho alviverde, que foi posto à prova durante esses anos. Orgulho esse que nem deveria descansar, e sim permanecer inflamado no coração daqueles que derramam as suas lágrimas na vitória ou na derrota, no único casamento que nunca vai terminar em divórcio na vida de quem escolheu vestir essa camisa.
Sabendo da responsabilidade e da necessidade de ser campeão, Assunção caminhou para cobrar a falta decisiva tentando enxergar o destino final daquela bola. Muito provavelmente se surpreendeu ao perceber que Betinho, o renegado, o mais contestado, xingado em grande espaço de tempo pela torcida, subiu para desviar e empatar a finalíssima. Era o mais claro sinal de que o patinho feio também pode ser o salvador da pátria.
Alguns quinze minutos depois e já era inevitável soltar o grito, controlar a emoção. A hora chegou, meus amigos. Enrolados em bandeiras, batendo no peito de seu manto alviverde, branco, esmeraldino, verde-limão, até mesmo o azul, a gente pula, se esmurra, grita até perder a voz, fica sem ação, olha para os céus e tenta agradecer qualquer força que tenha sido responsável por mais esse momento de alegria, que específico como essa Copa do Brasil, demorou meia vida pra chegar outra vez. 
E aí a gente lembra de quando era criança e se acostumou a desfilar as glórias por aí. Cresce, vira adulto e nada de acontecer outra vez. Lidando com frustrações, decepções e feridas que pareciam insuperáveis, passamos por 2002, 2009, 2011 e ainda estamos aqui, cantando a mesma canção, vestindo as mesmas cores. Não sei como se sente quem desistiu de você, Palmeiras. Da minha parte, só posso dizer que todo esse tempo agora não significa mais nada. Hoje acordei campeão, amanhã também vai ser assim. 
Daqui pra frente quero te ver assim. Pode faltar técnica, pode faltar jogador, pode até faltar referência. Mas nunca deve faltar coragem e vontade. Se precisar, espero outra vida pra te ver campeão de novo. Só pra poder me sentir feliz igual ontem, com o meu sorriso de volta por um bom motivo. Nem quero pensar em como seria minha vida se não te amasse, só poderia ser desse jeito. A gente sofre, chora, mas no fim tudo vale a pena, se for com a alma e o coração.

Um pensamento em “A hora chegou”

  1. Essa foi sem duvida a conquista com o plantel menos qualificado de todos os tempos , o que demonstrou que com muita garra , raça, determinação , e dedicação em cumprir a risca o que foi treinado e combinado ,tambem pode levar a grandes conquistas …Salve Felipão turrão, teimosão ..
    Salve Henrique febril , Salve Luan com uma perna só , Salve Betinho ,o iluminado , e Salve , Salve Assunção o melhor cobrador de faltas do planeta …

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